Me devolvam o direito de confiar no Supremo

Juristas, teóricos, juízes, promotores, advogados e todos os operadores do Direito que me desculpem, mas a falsa controvérsia sobre o jantar (e outros encontros) de Gilmar Mendes com o homem do Jaburu está muitos degraus acima de uma mera questão jurídica.

Questão jurídica grave, e para especialistas, é a sucessão de Teori Zavascki na relatoria da Lava-Jato. Jantares, viagens e outros encontros entre um juiz e alguém que será por ele julgado são assuntos para todos nós. Esse não é um tema para especialistas.

Os aspectos jurídicos, do que possa ou não ser delituoso, são secundários. O jantar de Gilmar Mendes e Michel Temer, um dia depois do sepultamento do juiz da Lava-Jato, não é nem uma questão para outros entendidos em posturas públicas de tantas outras áreas.

Não é nem uma complexa questão filosófica. Essa é uma questão para qualquer cidadão que ainda veja o Supremo como referência de sabedoria e referência ética.

E não venham com Platão, Aristóteles, Kant e com grandes viagens regressivas às Grécias e às Prússias da Wikipédia.

Para entender o que aconteceu, não precisa ser especialista em altas filosofias e normas de comportamento de homens públicos. Precisa apenas ser alguém que ainda olhava para o Supremo com um mínimo de confiança nos atos de seus ministros.

O jantar de Gilmar Mendes é demolidor dessa confiança. Todos têm o direito de dizer que se sentem ofendidos pela sequência de fatos envolvendo os dois personagens.

Não há como não se sentir menosprezado, subestimado, agredido pela naturalidade dos encontros entre dois homens que deveriam estar acima de suspeitas, um juiz presidente do Tribunal Superior Eleitoral (e membro da mais alta Corte do país) e um governante que dele dependerá para sobreviver politicamente, ou não. Sem considerar que pode virar réu por corrupção (ou seria apenas caixa dois?), depois de dezenas de citações em delações premiadas da Lava-Jato.

Por tudo isso, eu me acho no direito de exigir de volta a confiança que um dia tive no Supremo.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Website Protected by Spam Master


5 + 2 =