NÃO COBREM TUDO DE CELSO DE MELLO

Alguém imaginava mesmo que Celso de Mello poderia impedir a manifestação desta sexta-feira em Brasília da turma que vem atacando o Supremo?

Não poderia. Todos sabem que o ministro defende a liberdade de expressão e de reunião (com a ressalva de que todos devem se responsabilizar pelo que dizem, escrevem e fazem). Mas muitos se queixaram.

Celso de Mello não pode corresponder a todas as expectativas das esquerdas, nem carregar nas costas o que outros não fazem pela democracia.

Deixem Celso de Mello avançar com segurança contra o fascismo e em defesa da Constituição. O Supremo não é a polícia.

Mas insistem que é grave, porque a extrema direita promete invadir Brasília com 300 jipes e caminhões, que seriam estacionados diante do Supremo.

Pois o que o fascismo quer agora é um gesto de censura do Judiciário, para mobilizar ainda mais o golpismo.

O pedido para que os manifestantes fossem contidos antes de chegar a Brasília, com a proibição antecipada do ato, foi feito pelo deputado federal Ênio Verri (PT-PR), líder do partido na Câmara.

Verri fez o certo. Mas Celso de Mello também fez o certo.
Largaram quase tudo que envolve Bolsonaro sobre a mesma do ministro. E ainda há o julgamento do processo de suspeição de Moro no caso do tríplex.

Não se imagina que, um dia depois de Bolsonaro invadir o Supremo com seus ministros e um grupo de empresários, Celso de Mello fosse dizer que não quer golpistas no entorno da Praça dos Três Poderes.

Calma, gente. Não cobrem tudo de Celso de Mello num país em que os estudantes poderiam ter tentado (pelo menos tentado) derrubar Bolsonaro. Não é tarefa de Celso de Mello derrubar Bolsonaro.

Ah, mas tem um sujeito numa gravação anunciando que o Supremo será fechado, porque os ministros são ‘gângsters’. Tem vídeo para todos os gostos.

Dizem que tem até o vídeo com Abraham Weintraub, na famosa reunião do dia 22, em que o ministro analfabeto grita que os ministros do STF são filhos da puta.

Uma hora eles irão parar de gritar, mas que não seja pela imposição de censura prévia.

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BRIGAS SEM FIM
Regina Duarte briga com Maitê Proença. Sergio Moro briga com Bolsonaro. Bolsonaro briga com Witzel. Joice Halssemann briga com Flavio Bolsonaro. Alexandre Frota briga com Eduardo. Janaína Paschoal briga com Weintraub. Gabeira briga com Ernesto Araújo. Damares briga com o diabo. O diabo briga com Edir Macedo. Lobão briga com Danilo Gentili. Diogo Mainardi briga com Olavo de Carvalho. Olavo de Carvalho briga com Hamilton Morão. E para completar chega agora essa notícia: Carluxo brigou com o Índio.

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UMA VERSÃO DRAMÁTICA PARA A INVASÃO DO SUPREMO
O vigilante do Supremo percebe movimentação anormal na rampa do Planalto e telefona logo para o gabinete de Toffoli.

– Doutor Dias, estão vindo de turma – diz o vigilante, ofegante, com a mão tapando a máscara e o celular, para abafar a voz.

– Quantos?

– Uns 30.

– Tem jipe?

– Negativo.

– Tem generais? – pergunta Toffoli com voz baixa, quase sussurrando.

– Positivo. Todos os ministros militares e mais dois filhos. O Helio Negão tá junto. Os outros não sei quem são.

– Tenta segurar na porta – ordena Toffoli.

– Vai ser difícil, doutor.

– Por quê?

– O Guedes está junto. E o Bolsonaro vem de máscara.

– Pede ajuda para o Luiz Fux.

– O doutor Fux está enclausurado há meio ano, doutor.

– E a Cármen Lúcia?

– Por acaso, não veio hoje, doutor.

Toffoli pede um tempo para pensar, ergue uma fresta na cortina, olha pela janela e vê Bolsonaro se deslocando pela Praça dos Três Poderes.

Vem na frente, em marcha militar, seguido por empresários que representam metade do PIB nacional.

São fabricantes de carros, refrigerantes, ventiladores, máscaras, cervejas, juros, picolés, copos, canivetes, cadeiras, lambretas, sojas, cigarros, cloroquinas, laranjas, dinheiro, revólveres, parafusos, de todos os setores da economia.

Toffoli volta a falar com o vigilante e diz, com a voz tensionada:

– Tive uma ideia. Chama o Nelson Jobim.

– O doutor Jobim não é mais ministro do Supremo, doutor.

Toffoli fica em silêncio por alguns segundos e depois diz, já mais relaxado:

– Está bom, deixa que entrem, mas pela porta dos fundos.

Ouve-se o suspiro do vigilante que, antes de desligar, ainda fala baixinho:

– Seja o que Deus quiser.

(Essa conversa é reproduzida como aconteceu. Foi grampeada ao acaso por um ex-ministro especialista em grampos, cujo nome é mantido em sigilo)

One thought on “NÃO COBREM TUDO DE CELSO DE MELLO

  1. Análise certeira do momento vivido pelo ministro do supremo, preciso também quando se refere aos estudantes e finaliza com uma ficção divertidíssima. Parabéns.

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