Nós, os perdedores

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Desde que fui acordado, às 7h30min, pela notícia do horror e até agora, às 23h50min, li mais de 20 textos que passam pelo centro ou pelas beiras da crise da democracia. O grande dilema, ampliado pela eleição do Trump, é como lidar com as surpresas e as imperfeições da democracia do século 21.

Uma democracia quase perfeita, como a americana, é capaz de eleger o Trump e será capaz de inspirar a eleição de fascistas da Europa, como uma Franke Petry na Alemanha e uma Marine Le Pen na França, e daqui a pouco.

A pergunta singela, ingênua, sem resposta, é como a democracia pode se prestar a fortalecer quem a despreza como a mais genuína expressão de cidadania?

Imagine então o que pode acontecer numa democracia ainda sob questionamento, como é a nossa, onde se golpeia uma presidente eleita com a maior facilidade. É certo que uma democracia como a nossa pode, sim, eleger até um Bolsonaro.

Foi esta democracia que elegeu em Porto Alegre, com vitórias em vilas de toda a periferia, um candidato que dizem nunca ter entrado nas vilas (e esta vitória unânime aqui não é figurativa, é real, como mostraram os mapas das votações).

Foi assim também que o trabalhador desiludido com a política formal votou no Trump ‘não-político’ que deprecia a política e deprecia até seu eleitor como cidadão.

Pois esta é a democracia que a direita decidiu levar a sério para resolver as coisas no voto que a própria direita tantas vezes tenta desqualificar.

Para o Brasil, há duas previsões antagônicas, nesse clima de desencanto que leva aos Júniors e aos Crivellas: ou os desencantados em geral (e não se trata apenas das esquerdas) aprofundam o desprezo pelo voto em 2018 (com mais abstenções, brancos e nulos), ou fazem como o país fez em 1974, depois da eleição de 1970, votam com vontade em nomes progressistas e voltam a acreditar nos benefícios de uma eleição.

Só há um pequeno problema: em 1974, a democracia era redescoberta no Brasil e se reconstruía com nomes que assumiam a luta pela sua reabilitação. E quem são hoje os nossos ‘progressistas’ confiáveis?

Hoje, a democracia é um bem entregue à festança dos que mais a desprezam. A direita se refestela na democracia, agora – no caso brasileiro – com a cumplicidade de parte do Ministério Público e do Judiciário. O que sobra pra nós, os perdedores, é tentar entender, ou talvez nem entender seja possível, ainda.

4 thoughts on “Nós, os perdedores

  1. Michael Moore em 27 de julho de 2016:
    http://www.brasilpost.com.br/m

    Não esqueçam, David Coimbra é, antes de tudo, um sofista. Os argumentos rasos, superficiais mesmo, com algum encanto na construção, servem para defender suas teses reacionárias.
    Isso sem falar no deslumbramento com a o american way of life e as absurdas comparações entre o Brasil e os EUA.

    A barrigada não me surpreendeu

  2. Acredito que o grande problema no Brasil é a rede Globo. o pessoal da vila vota no que fica sabendo pela TV. Enquanto Luciana e diedrich jogavam ping pong no debate, Junior batia na atual administração q foi um desastre. No país desde 2013 a globo bate diariamente na esquerda. na última semana antes das eleições foi um bombardeio. As roubalheiras do PSDB e PMDB não são notícias. ZH trata Padilha como ministro, qdo devia tratá-lo como bandido. Aliás, só tem bandido traidor no atual governo.

  3. dESCULPEM MINHA IGNORÂNCIA … AINDA ESTOU APRENDENDO SOBRE POLITICA …. MAS MOISES MENDES FAZ A SEGUINTE EQUAÇÃO: eSQUERDA=DEMOCRACIA E DIREITA=FASCISMO …. É ISSO MESMO ???? eNTÃO DEVO CONCLUIR QUE QUEM FOR DE DIREITA NUNCA SERÁ DEMOCRÁTICO E QUEM FOR DE ESQUERDA SEMPRE SERÁ UM SUBLIME DEMOCRATA !?!?!?!?!

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