O PERFUME

Loja de equipamentos e de todo tipo de produto cheiroso para limpeza de casa, no Jardim Verde, aqui perto.
Cheiros bons saem dali e se esparramam pela Aberta dos Morros. Um senhor entra e pergunta pra moça:
– Aqui tem perfume?
– Tem.
– Qualquer perfume?
– Sim. O senhor quer pra casa?
– Não. Pro corpo.
E o homem eleva então a mão no ar, do alto da cabeça até a cintura, para deixar claro o que deseja, não um perfume pra casa, muito menos para borrifar no pescoço ou para pingar com parcimônia nos pulsos, mas para o corpo.
A moça diz que não, que não tem, e ele vai embora com seu guarda-chuva, aquele homem sereno, com sua demanda aparentemente sem tanta urgência, e aí o homem me fez pensar que ele desejou se perfumar porque sentiu o perfume de casas cheirosas de longe e eu deduzi que pode valer a pena usar um cheiro de vez em quando, mesmo eu que não uso nada.
E aí me dei conta de que aquele homem parecia querer um perfume de descarrego, quando passou a mão ao longo do corpo, um perfume purificador, da cabeça aos pés, que talvez nem todos nós estejamos querendo, mas que com certeza todos nós estamos precisando.

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