O delírio

Seu Mércio me liga com voz aflita. Informa que a manchete de todos os jornais neste momento, mas de todos mesmo, é esta: PIB cresceu 0,2% no trimestre e a economia dá sinais de recuperação.

São extensas as análises sobre o portentoso impacto de 0,2% na nossa vida. Os economistas da FGV estão em festa.

Seu Mércio me pergunta se não perdemos a noção de tudo, se não somos todos os tais sujeitos submissos da história. Quando iremos comemorar a recuperação de 0,2% da nossa capacidade de compreensão disso tudo?

Como alguém pode comemorar a destruição da economia? Como um jornal (um não, todos) pode comemorar um ‘crescimento’ de 0,2%, um ano depois do golpe, apenas num trimestre, e por causa do FGTS liberado, e sugerir que isso significa alguma coisa?

Seu Mércio defende que a flecha de prata de Janot espere o jaburu-da-mala no aeroporto. A flecha é a nossa salvação.

Mas seu Mércio admite: estou que nem os jornais, comecei a delirar.

O país, me disse seu Mércio, foi submetido ao delírio do golpe, aos delírios do jaburu, do Congresso e do Judiciário, enquanto é saqueado e espera a flecha de prata de Janot. A flecha, me disse seu Mércio, e repetiu: a flecha, a flecha… E desligou.

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