O duelo de Trump com Delcy Rodríguez também será dramático

Se fosse possível juntar tudo o que já se disse sobre o sequestro de Nicolás Maduro, teríamos pelo menos uma centena de teorias sobre o que aconteceu e previsões sobre o que vai acontecer.

Temos desde a conclusão mais óbvia e repetitiva, de que Trump quer o petróleo da Venezuela (até porque ele admitiu isso publicamente), até a advertência de que o Brasil é o grande alvo, ao lado de alvos de passagem como Cuba e Colômbia.

Quase todo o resto é chute. O primeiro deles diz respeito ao papel da vice-presidente, Delcy Rodríguez, que já assumiu a presidência e avisou que irá defender os interesses da Venezuela.

Essa é a sua frase mais publicada pelos jornais venezuelanos, mesmo os alinhados com a direita antichavista: “Jamais seremos colônia de nenhum império”.

Delcy foi anunciada, na coletiva de Trump logo após o sequestro, como a pessoa de confiança dos Estados Unidos para fazer a transição, sem que não tenha ficado claro o que isso significa.

Pode ser a ocupação do governo provisoriamente até a convocação de eleição. Só que, se convocar eleições, como está previsto na Constituição, Delcy será vista como traidora do chavismo.

E a vice agora presidente é chavista histórica desde jovem. Trump tentou desmoralizá-la, ao invés de valorizá-la, como alguns pensaram, quando disse que preferia Delcy, e não a fascista Maria Corina cumprindo esse papel para a tal transição.

Desmoralizou Corina, dizendo que ela não tem o respeito dos venezuelanos, e depreciou a vice, ao apontá-la como sua preposta depois do golpe. Delcy estaria acertada com Marco Rubio, seu secretário de Estado.

O que se tem agora é que, diante da posição pública de Delcy em defesa da figura de Maduro e do petróleo como patrimônio nacional, Trump passou a ameaçá-la.

O recado é que pode acontecer com a vice coisa pior do que aconteceu com Maduro, se ela não se submeter às ordens dos americanos.

“Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o próprio Maduro”, disse Trump em entrevista à revista The Atlantic nesse domingo.

Que preço seria esse mais alto do que o sequestro de Maduro? Delcy tem o apoio das Forças Armadas e da estrutura de poder antes comandada por Maduro e uma certeza: não pode trair o chavismo.

Então, o que temos hoje de mais importante é que Delcy Rodríguez é a nova bronca de Trump. Aprendiz de golpes sabem que os americanos podem fazer uma aposta, se a vice vacilar ou se rebelar.

A aposta é o caos, com problemas de abastecimento que provoquem, como já está acontecendo, corrida aos supermercados. Trump pode apostar na desorganização geral do governo, para que o sentimento da população seja de um país descontrolado.

E aí entraria a segunda parte, para que os EUA assumam o controle absoluto da Venezuela, onde não há até agora presença americana. Mas aí, como diria Garrincha, será preciso combinar com os russos.

Em postagem nas redes sociais nesse domingo, a vice foi mais diplomática e até sugeriu que fará concessões:

“Consideramos prioritário avançar rumo a uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da região, baseada na igualdade soberana e na não interferência. Esses princípios norteiam nossa diplomacia com o resto do mundo”.

Mais adiante, escreveu:

“Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer a coexistência comunitária duradoura”.

Maduro é citado:

“Presidente Donald Trump: Nosso povo e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra. Essa sempre foi a posição do presidente Nicolás Maduro, e é a posição de todos os venezuelanos neste momento”.

Delcy Rodríguez só tem uma certeza, enquanto calibra o discurso para Trump, sem que pareça agressiva ou serviçal, e para os venezuelanos que a apoiam, para os quais não pode parecer entreguista: não há como apagar tudo o que já foi e já fez por Hugo Chávez e por Maduro.

E por isso mesmo não tem como se submeter a Trump. O duelo americano com a vice pode ser tão dramático quanto foi com o presidente sequestrado com facilidade.

11 thoughts on “O duelo de Trump com Delcy Rodríguez também será dramático

  1. O Moisés errou de novo, porque o sonho dele é que a vice declare guerra aos EUA e liberte Maduro.

    Nenhum helicóptero do Trump sofreu um tiro de espingardinha de chumbo, o que significa que estava tudo combinado com a Cia, com o exército bolivariano, “com o Supremo, com tudo”.

  2. E para provar que tudo estava acertado, basta dizer que o homem mais poderoso e RICO da Venezuela – DIOSDADO CABELLO – permaneceu intocável. Nenhum comando Delta foi atrás do Cabello, que, ao que tudo indica, foi o cara que negociou com o Marco Rubio e entregou a cabeça do Maduro numa baixela de prata para o Trump. Detalhe: Diosdado Cabello também tem mandado de captura e recompensa de 25 milhões de dólares por sua prisão. O que o Trump quer, além do petróleo, é o afastamento da Venezuela da esfera de influência da Rússia e da China. Esse é o nome do jogo. O resto é perfumaria.

  3. O Moisés sempre se superando como comediante. A oposição venceu as eleições presidenciais de 2024 na Venezuela com um percentual variando entre 65% e 67 %, com Edmundo González candidato, já que Maduro mandou seus juízes amestrados tornar Maria Corina inelegível. Depois Maduro FURTA as atas eleitorais, desaparece com elas e manda a Comissão Eleitoral proclama-lo vencedor com 51 % dos votos. E O humorista Moisés Mendes chama a Maria Corina de GOLPISTA kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    1. Mané, se tu reunir as atas de votação em Caxias do Sul em 2022, o golpista condenado venceu a eleição com 80% dos votos. Já no conjunto do eleitorado, … e se aconteceu o mesmo na Venezuela?

      1. Manezão, “se” isso aconteceu, como você diz, então por que o Maduro surrupiou e desapareceu com as atas ? Por que as atas não foram mostradas publicamente, como determina a lei ? Eu nunca vi um candidato ganhar as eleições e SUMIR com as atas eleitorais. Esse seu raciocínio não tem pé nem cabeça. Totalmente desprovido de lógica elementar.

  4. O Moisés pode até achar a Venezuela um exemplo de democracia socialista, pode achar o Maduro um fanfarrão simpático que dança bem, pode até achar que a oposição venezuelana é golpista, fascista, etc., mas não há como achar que a Dona Delcy vai “trair” Trump e declarar guerra!

    Moisés do céu, acorda, homem! Aviões invadem o espaço aéreo de um país sem tomar nenhuma estilingada, uma pedrada sequer?

    Acorda, homem!

    Malu Gaspar tem fontes, o oscar para “Ainda estou aqui” não vai vencer o tal “fascismo”, o Itaú não é de esquerda, a Viviane Barci é advogada do Master, o Gilmar Mendes não deixou o Lula tomar posse como ministro da Casa Civil, a Dona Carminha, que faz discursos emocionantes sobre a paz e a democracia odiava a Dilma e votou para chutá-la, a Janja acabou com a imagem do marido nesses 4 anos e o Lula corre risco de perder as eleições.

    Acorde, Moisés! Acorde! Eu e o Ferdinando somos seus únicos amigos, pois tentamos alertar você!

  5. O que vai acabar acontecendo é o seguinte, Mané: o Pirata do Caribe vai acabar mandando os drones acabarem com a farra de d. Delcy e em seguida vai encampar a exploração de petróleo da Vanezuela.

  6. Trampa não gosta de ditador de esquerda. Te cuida, Daniel Ortega!!! Mas, pensando bem, parece que na Nicarágua não tem petróleo. Então, sossega, Ortega.

  7. Agora que eu percebi porque os 32 guarda-costas cubanos do Maduro foram assassinados a sangue-frio. Foi para salvar a vida do Maduro. A ordem vinda de Cuba era para matar Nicolas Maduro, à menor tentativa de captura por parte das Forças Especiais norte-americanas. Para Diaz-Canel e sua CORJA, a pior coisa que poderia acontecer é Maduro ser capturado vivo e fazer uma DELAÇÃO PREMIADA. Seria o fim definitivo do FORO de São Paulo. Diaz-Canel, Petro, Lula, Evo Morales, Cristina Kirchner, Daniel Ortega estão se borrando nas respectivas cuecas e calcinhas. MADURO vai ter que delatar. Se não delatar, pode pegar de 30 anos de cadeia até prisão perpétua. Se delatar pode ganhar um salvo-conduto para a BELARUS, do companheiro ditador Lukaschenko. A FORÇA DELTA sabia disso, e foi muito rápida e eficaz em eliminar toda a escolta cubana do Maduro, antes que algum cubano metesse uma bala na cabeça do Maduro. O ex-ditador venezuelano deve sua vida à FORÇA DELTA norte-americana.

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