O fascista nunca se refestelou tanto como agora

Veteranos de direita, que viveram os seus melhores momentos na ditadura e aproveitaram também os piores, nos estertores do início dos anos 80, sabem que não era tão fácil ser um fascista público e ostensivo naquele tempo.

Mesmo quando os militares exerciam controle quase absoluto do Brasil, era difícil ser um fascista civil comum e declarado porque a ditadura não conseguia glamourizar e proteger tudo o que fazia.

Os ditadores construíram a imagem da economia próspera, da moral e cívica, do anticomunismo e da defesa da família e viram retórica e ação se reproduzirem nas comunidades.

Era fácil, no milagre econômico, apresentar-se como reacionário e ultraconservador. Mas não era muito cômodo exibir-se como fascista, o que significava outro estágio.

Os interioranos testemunharam essa situação mais do que os moradores das grandes cidades. Um interiorano enxergava os movimentos e ouvia o padre, o prefeito, o vereador, o empresário, o mandalete do fascista.

Mas sabia que eles não agiam com muita desenvoltura e não se refestelavam tanto. A maioria era de cuidadosos e dissimulados. Os gritões e impositivos eram minoria.

Hoje, não. Um fascista do bolsonarismo é alguém dedicado à ostentação do seu fascismo como ativismo político e como atividade econômica e profissão. O fascista é um profissional.

E continua ativo, apesar de alguns tombos. Imaginavam que, depois da eleição de Lula, do fracasso do golpe e da condenação dos chefes da organização criminosa de Bolsonaro, o fascismo iria se abalar.

Pode ter ficado abatido, mas não se entregou. Porque é preciso manter os nichos de mercado da extrema direita, com a fidelização dessas bases. E a partir daí, com impunidade, reconstruir o fascismo.

As eleições de 2026 oferecem munição à extrema direita, com ou sem anistia ampla, geral e irrestrita. Porque é fácil ser fascista para conspirar até, como fizeram nos últimos meses, contra a isenção do IR para ganhos de até R$ 5 mil.

O fascista sabe que a maioria não estava sabendo da sabotagem à isenção. Sabe que um contingente expressivo conecta as falas de Michelle a uma ideia de fé nacionalista, mas não associa a defesa da soberania, feita por Lula, como resistência aos ataques de Trump.

É fácil ser fascista porque a média não conecta o crime organizado ao mercado financeiro das fintechs da Faria Lima. E não consegue ligar a matança de jovens pelo metanol a esse mesmo crime organizado.

O governador de São Paulo já disse que não há relação entre metanol e PCC, mesmo que a Polícia Federal diga que pode existir, sim. A extrema direita aposta na confusão e oferece habeas às facções que fazem lavagem de dinheiro analógico e também de bitcoins, vodka, combustíveis.

É fácil ser fascista e passar pano para o PCC, ser transfóbico, racista, golpista intermitente, com ou sem mandato, porque as redes de proteção são vastas e ainda funcionam, apesar das derrotas recentes da extrema direita.

É fácil ser fascista com a cumplicidade da velha direita, dos jornalões, dos liberais e dos especialistas que avalizam ataques à democracia pelos que desejam usufruir da democracia para continuarem sendo fascistas. Hoje, o fascista ostenta até alvará de fascista.

3 thoughts on “O fascista nunca se refestelou tanto como agora

  1. Ué, mas o Oscar para “Ainda estou aqui” e os discursos emocionantes da Dona Carmen no Supremo não derrotaram o fascismo, Moisés?

    E, ah, nós, leitores do seu blog, estamos esperando você entrevistar aquela senhora que está em situação de rua e estava lendo um livro.

    O fascismo nunca dá voz a essas pessoas, Moisés! É triste isso!

  2. Ora, ora, ora! Guinho, o boneco fascistinha, agora não apenas fala pelo Nandinho, o ventríloquo fascistão, como em nome de todos os leitores do blogue. Desde quando achas que a tua arrogância e hipocrisia substituem a vontade e opinião dos leitores? Por acaso tens alguma dúvida de que Janaína, a brasileira que o Moisés estampou nas páginas do Extra Classe, jamais seria notada, ouvida, fotografada e digna de uma crônica caso fosses tu um repórter da tua amada Folha a encontrá-la?

    E então não sabes, Guinho, que tu és apenas uma das múltiplas faces do fascismo, essa coisa ardilosa, truculenta, letal, medonha e nefasta, bem característica dos covardes que preferem viver e agir nas sombras e no anonimato da internet?

    Que por trás do recorrente e hipócrita discurso de liberdade de expressão usado por Trump e fascistas do mundo inteiro para defender a total desregulamentação das tais big techs esconde-se a necessidade de um território sem leis e qualquer controle social para que todos os tipos de crimes possam ser cometidos à distância, até mesmo o extermínio de um povo, como ocorre nesse instante em Gaza.

    1. A Folha sempre entrevista a população carente, inclusive a de rua. Já o Moisés, como bom petista, “não quer nem saber” kkkkkkkkkkkk

      Para o PT, pobres só servem como teses sobre a pobreza.

      Você nunca, jamais, Neri, teve o prazer de abrir as páginas da Folha, porque isso poderia arranhar as “verdades” que você inventa para parecer um herói antifascista, que está sempre vigilante e em combate.

      Na verdade você é um esquerdista de barzinho burguês, Neri. Quando chega uma criança vendendo bala nas mesinhas do lado de fora, você a toca dali com seus amigos progressostas de I-phone.

      O PT é isso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Website Protected by Spam Master


3 + 7 =