O FILHO E O OGRO 

O filho de Bolsonaro ataca o próprio guru do bolsonarismo, quando diz que tudo o que os brasileiros querem é entrar sem visto nos Estados Unidos e lá ficar para sempre.

Eduardo Bolsonaro era muito jovem quando Olavo de Carvalho, que agora se considera americano, ganhou espaço nos grandes jornais brasileiros para atacar Lula, o PT e as esquerdas. Tinha espaços permanentes em jornais, revistas, rádios, TV.

Era um dos que tentaram ocupar o espaço deixado pela morte de Paulo Francis em 1997. Fazia conferências, dava consultoria. A elite empresarial o paparicava. Esteve muitas vezes em Porto Alegre.

Olavo sempre foi um blefe da direita, acolhido sem restrições pelos que tentavam evitar que o PT chegasse ao poder. Mas em 2002 Lula foi eleito, e três anos depois Olavo se mudava para os Estados Unidos.

Por que o astrólogo foi embora? Porque a direita o abandonou. Olavo de Carvalho era tão grosso como pretenso pensador do conservadorismo que durou apenas o tempo necessário para fazer os ataques que não evitaram a vitória de Lula. Exposto como grande enganador, foi abandonado.

Os jornais usaram e dispensaram Olavo de Carvalho. Não havia o que fazer com ele. Sem utilidade, foi embora e ficou durante anos morando num rancho na Virgínia.

Quem foi Olavo de Carvalho por mais de 10 anos, até a ascensão do bolsonarismo ao poder? Nada. A direita nunca mais quis saber dele. Mas ele seria útil para a extrema direita adormecida, que via seus vídeos de quinta série no youtube.

O filho de Bolsonaro deve saber que Olavo de Carvalho conseguiu visto de permanência nos Estados Unidos em três anos. Como conseguiu, se poucos com o perfil dele conseguem? Porque Olavo de Carvalho aproximou-se da direita americana.

É morador oficial e de lá faz o que a direita nacional mais gosta de fazer: emite do Exterior palpites diversos sobre qualquer coisa no Brasil.

É o que fazem Diogo Mainardi e seus colegas de Manhattan Connection e outros menos votados. Atacam a esquerda, os índios, os ambientalistas, debocham de professores e de pobres. Tudo o que Francis fazia.

O grande sonho do ‘pensador’ de direita é ir morar no Exterior para de lá atacar tudo o que considera inimigo e manter em estado de alerta a conversa da ameaça comunista. Não vão como exilados, porque não estão sendo perseguidos por ninguém, mas como imitadores do reacionarismo americano, morando lá ou em Veneza.

Olavo de Carvalho é o cara que chegou ao topo. Levou década e meia para ser reconhecido por alguém no poder. Outros continuam tentando. É preciso dedicação. Se Olavo conseguiu, qualquer pangaré pode conseguir.

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