O golaço de Raquel Krähenbühl
A correspondente da Globo em Washington obrigou Trump a dizer que conversaria com Lula sobre o tarifaço. E ainda conseguiu arrancar do neofascista uma acusação contra Lula, de que o presidente brasileiro fez “a coisa errada”.
No meio da maçaroca de repórteres, no pátio da Casa Branca, Raquel Krähenbühl não só conseguiu fazer a primeira pergunta sobre o Brasil, como foi em frente, falou mais alto na gritaria e emplacou mais três perguntas.
Não é pouca coisa. Numa entrevista formal, cara a cara, ela poderia ter perguntado: você, que impôs o tarifaço, não pode tomar a iniciativa de ligar para Lula, como fez com Claudia Sheinbaum, presidente do México?
Mas aquela era uma guerra de repórteres, numa das mais temidas situações enfrentadas pelos jornalistas: quando, por uma vacilada ou uma voz baixa de quem pergunta, o entrevistado desaparece e o repórter não consegue abrir a boca em meio ao salve-se quem puder de dezenas de colegas.
Raquel conseguiu. O contexto todo e a empáfia do entrevistado compõem uma cena de filme de gângster.
Abaixo, a sequência da conversa da correspondente com Trump:
Raquel Krähenbühl: Você está aberto a negociar com o Brasil? O presidente Lula disse que gostaria de ligar. Se ele pedisse para conversar, você falaria com ele agora?
Donald Trump: Ele pode conversar comigo quando quiser.
Raquel: Você está disposto a negociar as tarifas?
Trump: Sim, ele pode conversar comigo quando quiser.
Raquel: O que está na mesa para o Brasil?
Trump: Vamos ver o que acontece. Mas eu amo o povo do Brasil.
Raquel: Então, por que tarifas de 50%? Elas não parecem ter relação com o comércio.
Trump: As pessoas que governam o Brasil fizeram a coisa errada.
(Aqui de longe, sentadinho na frente da TV, alguém pode dizer que faltou perguntar o que seria a coisa errada. Mas Trump respondeu a última pergunta já no meio do tiroteio das intervenções de outros jornalistas e logo foi embora. Viva o jornalismo. Raquel Krähenbühl brilhou mais uma vez.)

Fico imaginando esse telefonema: “Alô, quem fala, é o prisidenti duzistaduzunido” ? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Alô, Trump, vamo negociá, me manda 50 garrafa de Jack Daniel’s, que eu te mando 50 de Tatuzinho, 50 de Velho Barreiro e 50 de 3 Fazenda, combinado ? Sem truco. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Quando vi a foto da Raquel Krähenbühl neste blog, eu pensei que viriam acusações de que ela estaria envolvida com o nazifascismo internacional, que ela ria das crianças com fome em Gaza, que ela teria um caso extraconjugal com Eduardo Bolsonaro, enfim, todas aquelas acusações que o Moisés adora fazer contra a grande imprensa.
Que estranho! O Moisés bebeu?
E como eu nem olho mais para o Brasil 247, imagino que uma foto dela ali será seguida por comentários misóginos, odiosos e mais acusações contra funcionários da grande imprensa, esses vassalos do “imperialismo ianque”.
Pior de tudo é que o papel de uma repórter não é fazer um acordo com presidentes em um cercadinho. Eu já sabia que o idiota do Lula não ligava para o Trump porque ele e a presidenta Janja estão adorando as taxas. O casal jogou com a sorte e deu “meio certo”, mas é arriscado jogar com a sorte em se tratando de economia.
O casal fechou todos os diálogos com a Casa Branca desde que Trump venceu. Os discursos de Lula contra Trump são belicosos e estúpidos, em palcos como o dos Brics ou em encontros para discutir a fome no mundo e curtir hotéis caríssimos.
Aí tem que vir uma repórter para escancarar a farsa de que os canais para o diálogo estavam fechados. Não estavam. E se desse tempo, ele teria baixado para 25% ali mesmo no cercadinho.
Fora, Janja! Fora, Lula!
Se a Raquel Krähenbühl tivesse mais tempo, ia acontecer um diálogo simples, que a presidenta Janja, o bi-vice-presidente Lula e o tetra derrotado Haddad não quiseram que acontecesse e fizeram de tudo para que não acontecesse:
_ O senhor poderia baixar para pelo menos uns 20%?
_ 25.
_ Fechado!
Não é só o Eduardo Bolsonaro que sabota a porra do Brasil.
Apaga que dá tempo. A moça desmentiu o Lula.
Lula está radiante com a destruição do agro. O Haddad até veio com desculpas: “a recíproca é a mesma”, “eu vou ligar antes para o secretário”.
Apaga que dá tempo. A moça desmentiu o Lula.