O HOMEM DO BERIMBAU

O Rio Grande do Sul só ganhava do Acre em municipalização da saúde pública, há uns 10 anos, quando eu decidi fazer uma reportagem sobre quem cuidava mesmo da gestão do SUS.

Municipalizar é fazer com que os municípios cuidem da administração da saúde, na maioria das vezes apenas dos serviços mais básicos. É uma medida de comprometimento com a saúde.

Pouco mais de uma dúzia de municípios assumia a gestão do serviço de saúde mais elementar. O resto estava acovardado e deixava tudo para o Estado. Tabulei os dados de todo o Brasil, para fazer um ranking nacional, e o RS sempre tão metido a superior perdia para todos os Estados. Menos para o Acre.

O SUS é maltratado pelas autoridades gaúchas e isso ajuda a explicar o fato de que somos também o segundo Estado (depois de São Paulo) mais dependente dos médicos cubanos.

Quando fiz esse ranqueamento da gestão do SUS, descobri também que um Estado, só um, não informava a um portal do Ministério da Saúde o que investia de fato em saúde pública. O portal tratava de transparência.

O único Estado na penumbra, que sonegava a informação, era o Rio Grande do Sul. O secretário da Saúde daquela época, no governo de Yeda Crusius, era Osmar Terra, o homem que vai cuidar da cultura no governo de Bolsonaro, mesmo que (diz ele) saiba ‘apenas’ tocar berimbau.

Os artistas já reagiram, porque o comentário é depreciativo. Não é qualquer um que toca berimbau.

Osmar Terra, o engraçadinho, que será ministro da Cidadania, da Cultura, do Esporte e do Desenvolvimento Social, era o chefe da secretaria que escondia os dados sobre os recursos que o Estado aplicava em saúde. Porque deveriam ser vexatórios.

Terra vai cuidar de desenvolvimento social e tocar berimbau.

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