O jornalismo investigativo viciado em hangares

Folha, Globo ou Estadão irão descobrir amanhã que alguma autoridade da República andou em aviões de Daniel Vorcaro. É o que os jornalões descobrem todos os dias, em ‘investigações’ que viraram paisagem.

Os jornalões vão aos registros de voos e descobrem o que qualquer foca descobriria. Que autoridades se reúnem, conversam e interagem de todas as formas com poderosos. E todos voam em bandos.

Nenhuma alta autoridade da República irá conversar ou passear comigo, ou com você aí que está me lendo, no nosso carrinho.

Autoridades recebem banqueiros, lobistas e quem tem dinheiro para pedir audiência. Em algum momento um banqueiro irá quebrar e puxar para seus rolos todos os que com ele conviveram.

Inclusive a Globo, que teve Daniel Vorcaro como patrocinador e palestrante de um evento mundial do Valor Econômico, do qual é uma das donas, em Nova York em 2024.

Mas é preciso descobrir mais do que essas conexões. O jornalismo que investiga voos é o que a grande imprensa tem de mais preguiçoso em décadas.

Os jornalões nada fizeram como investigação durante toda a cobertura do golpe. Comeram pela mão de vazadores de informações.

Não há em nenhum dos grandes jornais das corporações uma reportagem, uma só, que tenha resultado da dedicação dos jornalistas à investigação de um fato envolvendo golpistas.

Tudo saiu de inquéritos e de processos, sempre com vazamentos. Não há nada que tenha resultado do trabalho do jornalismo sobre o plano dos kids pretos para matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes.

Mas todos sabem tudo sobre as listas de passageiros de aviões e de reuniões de Vorcaro com altas figuras de Brasília. Vorcaro não se reunia com Fabrício Queiroz.

Ainda bem que os jornalões investigadores de listas de passageiros de hangares da aviação executiva não produzem powerpoints.

2 thoughts on “O jornalismo investigativo viciado em hangares

  1. O que me irrita é essa tese desse malfadado “golpe”.
    Um golpe sem um único disparo de arma nenhuma, sem forças Armadas nas ruas e etc.
    Apenas uma turba de arruaceiros e “Maria vai com as outras” quebrando umas vidraças, nada mais que isto.
    Nada nesse Brasil dá certo com o partido das trevas no poder.
    Nem um suposto “gópi” tabajara…

  2. O Moisés, ao pretender normalizar toda essa promiscuidade e conflito de interesses, sem enxergar nenhum deslize ético, moral, nenhuma infração à LOMAN – LEI Orgânica da Magistratura Nacional, está também achando absolutamente normal e republicano o almoço oferecido pelo Veio da Havan, no casarão histórico de Brusque, a alguns desembargadores catarinenses. Tudo dentro da mais absoluta normalidade, segundo o nosso prezado blogueiro. Afinal de contas, se vale para Ministros do Supremo, por que não valeria para Desembargadores do TJSC, né mesmo ?

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