O JORNALISMO NÃO PODE LARGAR SERGIO MORO

O jornalismo fracassou quando Sergio Moro viajou para os Estados Unidos e circulou à vontade, por cinco dias, sem o acompanhamento de nenhum repórter.
O jornalismo, em especial o da grande imprensa, não pode fracassar de novo agora, quando o ex-juiz pede afastamento de cinco dias do governo para tratar de assuntos particulares.
O jornalismo terá de seguir Moro. Não há outra figura pública mais controversa na História recente do país. Não há no governo nenhuma outra autoridade com a importância de Moro para que se entenda o que pode ter acontecido na ação seletiva e delituosa do Judiciário brasileiro nos últimos anos.
Nenhuma outra figura pública tem hoje a relevância de Moro, para que o país finalmente preste contas com seu passado recente, desde muitos antes do golpe de agosto de 2016.
Sergio Moro é a mais pública de todas as figuras públicas. Seus atos deveriam ser transparentes, pelo menos em Brasília, como ele exigia em Curitiba que fossem as condutas dos políticos.
Mesmo que a transparência nunca tenha sido uma virtude da Lava-Jato, é agora, como homem público com cargo no poder, que Sergio Moro passará pelo grande teste como alguém que se consagrou como amigo da imprensa e dela fez uso para legitimar o encarceramento de Lula.
É agora que o jornalismo fica diante do desafio de finalmente enfrentar Sergio Moro sem salamaleques e firulas, sem tratamento especial e sem medos. O jornalismo deve acompanhar os passos de Moro a partir de hoje como nunca acompanhou.
O país precisa saber o que afinal Sergio Moro irá fazer no tempo em que ficar afastado, enquanto se ampliam as denúncias de que ele e Dallagnol afrontavam leis e normas elementares como justiceiros da Lava-Jato.
Se disser que fará tal coisa, Moro terá de comprovar que realmente estará fazendo. O Brasil vai exigir as provas.
Como homem público, Moro só tem o direito à preservação de intimidades e nada mais.
O ex-juiz terá de dizer o que o levou a pedir a licença. Se não disser, a imprensa terá a obrigação de descobrir. O jornalismo das grandes redações, que tem recursos para mobilizar profissionais na quantidade exigida por tarefas desse porte, deve se inspirar no destemor do Intercept.
A imprensa não pode ter medo de Sergio Moro.

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