O JORNALISTA DELATADO E O JUIZ AFASTADO

Luis Majul (foto à esquerda) é um dos grandes nomes do jornalismo de direita na Argentina. Na outra foto está o juiz Federico Villena, que já mandou prender 22 envolvidos em espionagem contra adversários políticos no governo de Mauricio Macri.

Pois Majul é um dos apontados como destinatários de informações dos espiões. E o juiz acaba de ser afastado do caso, por decisão da Justiça Federal e por pressão de gente como Majul, porque teria, antes do escândalo, tomado decisões que envolviam a Agência Federal de Inteligência (AFI). E a própria AFI abrigava os espiões.

Majul é estrela da CNN e da TV do jornal La Nacion. Um delator – o advogado advogado José Vega, defensor da espiã Mercedes Funes Silva – o acusou de ser receptor de informações da espionagem contra Cristina Kirchner, senadores, deputados, jornalistas e sindicalistas.

Não há alguém equivalente no Brasil com o protagonismo de Majul para a direita macrista e antiperonista. É um direitista que milita com afinco na extrema direita.

Ontem, ele havia dito ao vivo na TV, ao apresentar o programa ‘Mirá lo que te digo’, que as denúncias iriam chegar ao jornalismo e que ele estava com medo.

E ontem mesmo, enquanto ele acusava a própria Justiça de perseguir a direita, o delator o apontava como parte da rede de espionagem montada dentro da AFI, com participação direta do alto comando da inteligência do governo.

A espiã Mercedes Funes Silva funcionava como uma espécie de repórter investigativa de Majul. Ela é quem seguia Cristina Kirchner. Cada espião tinha a missão de seguir algum deputado, senador ou jornalista.

Mercedes era agente federal e virou delatora. Ela já contou ao juiz Villena que todas as informações apuradas eram levadas a Gustavo Arribas, diretor da AFI, e a Silvia Majdalani, sua adjunta. E dali seguiam para o gabinete de Macri.

Assessores do gabinete de Macri estão presos. Um araponga está foragido. E agora afastaram o juiz do caso, por pressão de advogados dos espiões e da imprensa.

Federico Villena vinha num ritmo forte. Esperavam que mandasse prender Darío Nieto, o Sombra, assessor particular de Macri.

Mas havia um outro problema com o juiz. Muitas das ações ilegais feitas pela AFI no governo Macri foram autorizadas pelo mesmo Villena.

A suspeita, a partir das delações, é de que Macri não só recebia informações como orientava a ação dos espiões.

(Abaixo, o link para o programa de ontem, quando Luis Majul sente que será denunciado)

https://youtu.be/y4eJr1p0III

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