O macho em crise vai à montanha para fugir das mulheres
Os legendários, que buscam saídas para a fragilização do macho diante das mulheres (e do incômodo com a afirmação de grupos LGBTQIA+), tornaram-se religiosos.
Está na Folha. É a resposta à masculinidade em crise, para resgatar o macho destemido que há dentro de cada hétero atormentado.
A Folha conta que eles se enfiam nos matos em busca da espiritualidade:
“Essas iniciativas misturam trilhas em regiões montanhosas, desafios físicos, banhos gelados, mentorias espirituais e discursos de autossuperação que orbitam o projeto que se diz inspirado no que seria o legendário número um, Jesus Cristo”.
Há muito tempo o ultrarreacionarismo se apropriou de Jesus Cristo, a ponto de achar que judeus são cristãos e de a família Bolsonaro mobilizar 10 profissionais de saúde de um hospital, para que o grande legendário golpista preso fosse operado no 25 de dezembro.
Esses machos em crise, como mostra a reportagem, não são necessariamente bolsonaristas, porque muitos podem estar negando o que são. Mas são da direita insegura.
O legendário é, diz a Folha, alguém que vê a sociedade em geral (as mulheres e os gays, principalmente, mesmo que o jornal não diga) “empurrando os homens para a passividade e a apatia”.
Outra conclusão da reportagem, a partir de declarações de líderes legendários. Se um homem casado não pode ter amizade com mulheres, está liberado para ser amigo de outros homens. Que aproveite e espalhe a palavra entre eles. Está na hora de alcançarmos outros homens para Jesus.
É o que eles pregam em caminhadas e encontros nas montanhas e florestas. O legendário pode ser alguém em conflito com sua orientação sexual, e não só o macho que se deu conta de que é incompetente para interagir com as mulheres e conquistá-las, como diziam antigamente.
É meio na linha de Pablo Marçal. Essa é a receita: “Desafios físicos intensos (como corridas de obstáculos), disciplina, psicologia e espiritualidade, inspirados em santos e heróis militares para restaurar a identidade masculina, fortalecer a família e a Igreja, e viver uma vida virtuosa centrada em Deus, família e nação”.
Dá pra concluir que os homens estão tentando viver sem as mulheres por perto.

Azar da mulherada, que tá reclamando pra caralho (literalmente) da falta de homem no mercado. Bem feito, que comprem vibradores – há uma variedade enorme deles nos sites de e-commerce – e sejam feluzaes sozinhas (ou com outras mulheres). Porque vamos combinar, mulher feminista não há homem no mundo que consiga suportar conviver nem por um único dia sequer. É tortura demais. Ninguém merece.
Corrigindo: “felizes”
Os homens nas montanhas fugindo das mulheres, e as mulheres aqui no plano desesperadas e histéricas atrás de homem, artigo Mais escasso que carne suína na Arábia Saudita. Querem uma dica para ganhar muito dinheiro ? Abram uma loja especializada em vibradores. A demanda é altíssima. Lucro garantido.
O FEMINICÍDIO VEM DO medo patológico e obsessivo de ser gay (o TOC de checagem de orientação sexual) não é apenas um sofrimento individual, mas um fenômeno coletivo que alimenta e explica parte da cultura machista e violenta. Suas relações podem ser compreendidas assim:
1. SO-OCD pode ser um fator psicológico subjacente a atos de violência extrema, como feminicídio.
Racional: Um homem em crise interna profunda, lutando contra pensamentos intrusivos sobre sua própria sexualidade, pode projetar esse ódio e pânico nas mulheres, muitas vezes, também homofóbica (vistas como “causadoras” da dúvida ou como um objeto a ser dominado para “provar” heterossexualidade) ou em homens gays (vistos como um “perigo” que ameaça sua identidade frágil). A violência se torna uma válvula de escape para o terror interno.
2. SO-OCD é uma ferramenta útil para o controle de homens em sistemas hierárquicos, como os militares.
Racional: Instituições que precisam de obediência cega e coesão agressiva podem manipular esse medo. A acusação de “ser gay” (ou o medo interno dela) é usada para uniformizar, dominar e emascular. Quem teme ser visto como “menos homem” se esforçará ao máximo para se enquadrar no padrão hipermasculino exigido, tornando-se mais manipulável.
3. Comportamentos machistas e infantis podem ser uma reação exagerada (uma “sobrecompensação”) ao SO-OCD.
Racional: A misoginia, a homofobia barulhenta, a ostentação de virilidade e a incapacidade de demonstrar vulnerabilidade podem ser mecanismos de defesa. É como se o homem dissesse, a todo momento, para si e para o mundo: “Veem? Não sou gay. Olhem como sou agressivo, dominador e desprezo tudo que é feminino ou homossexual”. É uma identidade construída sobre o pânico.
4. O medo coletivo do SO-OCD pode ser o “cimento” que une a extrema-direita.
Racional: Movimentos políticos autoritários frequentemente usam pânicos morais para unir seguidores. O medo de uma “ameaça” à masculinidade tradicional, à família heteronormativa e aos “valores de verdade” é um combustiente poderoso. Quem teme secretamente por sua própria orientação pode aderir fervorosamente a um grupo que promete erradicar essa “ameaça” do mundo exterior, dando um alívio temporário à sua guerra interior.
5. Tratar o SO-OCD em escala poderia levar a uma masculinidade mais saudável e autêntica.
Racional: Esta é a sua visão mais esperançosa. Se o sofrimento do TOC de orientação sexual for amplamente reconhecido e tratado com terapia (especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental e Exposição com Prevenção de Resposta), homens deixariam de agir a partir do medo e da negação. A “masculinidade verdadeira” que emergiria não seria baseada no desempenho ou no ódio, mas na segurança interna, no autoconhecimento e na integridade.
NÃO É HOMOFOBIA “SIMPLES”: DIFERENTE, O HOCD/SO-OCD é um transtorno de ansiedade. O sofrimento vem de pensamentos intrusivos e indesejados que causam pânico e dúvida crônica (“E se eu for?”). O comportamento homofóbico pode ser uma consequência patológica desse pânico, mas a raiz é o TOC.
criar grupos de apoio anônimos, semelhantes aos Alcoólicos Anônimos, para o TOC-OS é necessária. O CapS (Centro de Atenção Psicossocial) deveria, de fato, estar preparado para reconhecer e tratar esse sofrimento.