O macho jovem argentino se abriga na extrema direita para pedir socorro

Compartilho texto que está no site do jornal El Destape, de Buenos Aires, sobre o fenômeno do engajamento dos jovens argentinos às ideias de Javier Milei e da extrema direita.

É uma leitura que nos interessa, porque o Brasil ainda está escapando da adesão em massa dos jovens a projetos e ações ‘disruptivas’ identificadas com o fascismo, o machismo e a violência contra as mulheres.

Abaixo, na íntegra, o texto que mostra como a crise do macho jovem argentino os encaminha, segundo o estudo, para uma “politização de direita”.

EL DESTAPE
Frustração, antifeminismo e redes sociais: por que os jovens votam em Milei.

Um estudo realizado com homens entre 16 e 25 anos revela que a insegurança econômica e a crise dos papéis de gênero tradicionais estão impulsionando uma identidade política reativa, baseada na vitimização e no desejo de retornar ao passado.

O fenômeno do apoio da juventude ao partido Liberdade Avança transcende a esfera eleitoral, tornando-se uma profunda luta cultural e emocional. De acordo com a pesquisa “Os significados das masculinidades entre jovens homens eleitores de Milei”, conduzida por Esther Solano, Pablo Romá, Cecilia Feijoo e Guido Bonano, esse apoio está enraizado na convergência de duas frustrações: as disparidades socioeconômicas e a incerteza em relação à ascensão da mulher e do feminismo.

O estudo, baseado em grupos focais realizados em sete centros urbanos da Argentina, indica que esse segmento de jovens está vivenciando um “colapso do ideal masculino tradicional”, o que gera sentimentos de ansiedade e ressentimento.

Nostalgia pelo “provedor masculino”: De acordo com os autores, o desconforto desses jovens está diretamente ligado à sua incapacidade de alcançar marcos de estabilidade material, como possuir uma casa ou um carro, o que acentua sua vulnerabilidade diante das expectativas sociais de que sejam provedores.

Diante desse cenário, surge o que o relatório chama de “utopia reacionária impossível”: uma idealização da família tradicional de seus pais e avós que funciona como um “refúgio contra a incerteza do presente”.

Nesse modelo, o homem retoma seu papel como principal provedor e a mulher retorna ao lar e aos cuidados com a família, uma ordem pela qual esses jovens anseiam diante da atual insegurança no mercado de trabalho.

Essa situação precária os leva a enxergar as mulheres como concorrentes diretas. Os depoimentos coletados por Solano e sua equipe refletem que muitos jovens acreditam que as mulheres têm uma “vantagem” no mercado de trabalho não por mérito, mas por serem “atraentes” ou “mais simpáticas”.

Essa percepção de injustiça alimenta uma narrativa de vitimização em que os homens se sentem deslocados por um sistema que, em sua visão, agora os discrimina.

A “vida dupla” e a blindagem da machosfera: Uma das descobertas mais impactantes da pesquisa é a fragmentação da identidade desses homens. Diante do medo da rejeição ou da humilhação pública, muitos adotam uma “vida dupla”.

Segundo os autores, os jovens mantêm um “eu adaptado” em espaços públicos ou progressistas, enquanto protegem seu “eu autêntico” — caracterizado por opiniões conservadoras e nostálgicas — para as esferas privada ou digital.

Quando a pressão social se torna excessiva, eles recorrem ao solilóquio: o hábito de se isolar para pensar sozinhos devido à “impossibilidade de compartilhar vulnerabilidades” em grupos de amigos onde a fraqueza é punida.

A fuga definitiva reside na “machosfera”, um ecossistema digital de influenciadores como Dannan, El Temach e Agustín Laje. Nesses espaços, os jovens encontram validação e o que percebem como “coragem” diante do consenso social.

Ali, o conteúdo que consomem — desde conselhos de autoestima como “não implore às mulheres” até críticas ferozes ao aborto — os conduz gradualmente a uma “politização de direita” em questões econômicas e geopolíticas.

O feminismo como “desordem” e Milei como um leão protetor: A rejeição do feminismo é um princípio central dessa identidade. De acordo com o estudo, os entrevistados acreditam que o movimento feminista “desestabilizou” a sociedade, causando o que definem como “a mesma coisa, só que ao contrário”: uma suposta inversão de papéis opressivos, onde os homens agora são os submissos.

Embora aceitem parcialmente os aspectos biológicos da Educação Sexual Abrangente (ESA), rejeitam categoricamente o que chamam de “doutrinação baseada na identidade”.

Neste ambiente de tensões, Javier Milei surge como o restaurador da ordem. Para seus seguidores, o presidente — apelidado de “leão” — personifica uma masculinidade “dominante e forte” que projeta autoridade.

Os autores concluem que Milei oferece não apenas a perspectiva de estabilidade econômica, mas também a liberdade de “expressar abertamente suas opiniões” sem medo de censura estatal.

No entanto, o relatório termina com um alerta: esses jovens de origem operária podem se ver “presos em uma situação impossível”, onde suas aspirações por um passado idealizado se chocam frontalmente com um modelo econômico que dificilmente consegue atender às suas necessidades materiais”.

9 thoughts on “O macho jovem argentino se abriga na extrema direita para pedir socorro”

  1. Bem feito. O feminismo, que é uma ideologia de ULTRA-MEGA-EXTREMA ESQUERDA, angariando milhões de votos para a DIREITA. Continuem assim, feministas. A direita agradece penhoradamente.

  2. Só para lembrar: quem elegeu Donald Trump presidente dos Estados Unidos em 2024 foi a AGENDA WOKE: feminismo, ativismo LGBT e a seita fundamentalista das mudanças climáticas .Trump teve uma vitória acachapante. ganhou tanto no Colégio Eleitoral, quanto na contagem geral dos votos. E venceu em todos os sete SWING STATES. Uma SURRA Eleitoral histórica pra cima daquela hiena idiota e imbecil WOKE, a tal da Kavala Harris.

  3. Essa é GRAVÍSSIMA: o Procurador da República Júlio Marcelo de Oliveira, que atua junto ao Tribunal de Contas da União, requereu hoje o AFASTAMENTO de Márcio Pochmann da presidência do IBGE, que estaria comandando uma maquiagem de números do PIB e dos índices de inflação. Mas isso foi previsto desde o dia em que Lula nomeou esse LENINISTA-MARXISTA, ULTRA-EXTREMISTA DE ESQUERDA, que, vindo do Rio Grande do Sul, se alojou no Departamento de Economia da UNICAMP. Novidade ZERO. Quem conhece esse cidadão, que já foi candidato a prefeito de Campinas, e obviamente tomou uma SURRA ELEITORAL, sabe de suas ideias extremistas. Márcio Pochmann está à esquerda de Guilherme Boulos. Essa interferência na coleta e análise de dados foi muito praticada na Argentina da QUADRILHA dos Kirchners. E o mesmo pode estar ocorrendo agora no Brasil. O Procurador Júlio Marcelo alerta para a GRAVIDADE da coisa. Números maquiados do IBGE podem interferir em toda a economia, desde as taxas de juros até os reajustes de salários e aposentadorias e pensões, passando por índices da construção civil e toda a cadeia produtiva do Brasil. GRAVÍSSIMO !

  4. Este tal procurador deve ser da turma da terra plana e dos 6 mil anos de idade da Terra. O IBGE é uma estrutura imensa e ramificada, com quadro funcional concursado e estável, imune a manipulações de um ou outro, se porventura existisse. Esta não cola, Tio do Zap.

  5. Não, as denúncias de assédio moral contra o Pochmann aparecem na imprensa desde que ele assumiu o IBGE. Não tem nada que ver com o bolsonarismo e funcionário concursado e estável também adoece.

    Está na hora do PT parar de culpar o bolsonarismo quando faz merda e se lambuza.

    Esse Gerson só pode ser o Moisés Mendes mesmo, porque não é possível existir outro bolso-petista!

    Nem a Viviane Barci suporta um Gerson! ELA COrreu para confirmar que a Malu Gaspar estava certa. Imagine um Gerson mandando corações para a Vivi e defendendo-a como um louco. Ela tratou logo de evitar esse tipo de fanatismo.

    1. Tio do Zap II, Originalidade Zero. Se Viviane ou Malu gaspar forem regra para alguma coisa eu corto os pulso. Janja Nelas!!

  6. Versos de ‘Vide vida marvada’, do grande Rolando Boldrin:

    (…) Tem um ditado tido como certo
    Que cavalo esperto não espanta a boiada
    E quem refuga o mundo resmungando
    Passará berrando essa vida marvada (…)

    Pouco mais de uma semana atrás, no dia 02 de março, Nandinho publicou aqui um comentário do qual reproduzo apenas um trecho exatamente como estava escrito:

    (…) A única vez que se ouviu a voz de Dona Mariza foi num grampo do Sergio Moro, vazado para a Globo, ela conversando ao telefone com o filho Lulinha, coisa que até eu, um ANTI-LULO-PETISTA juramentado, achei uma COVARDIA repugnante da turma da LAVA-Jato e da Globo. (…)

    Além desse parágrafo comprovar que o abandono de produção de matérias investigativas em troca de ‘comer na mão de vazadores’ há tempos tornou-se uma escolha de ‘método jornalístico’ da Globo (e igualmente de outros grandes grupos midiáticos), revela ainda a falsidade dessa declaração tardia de compaixão de seu autor pela então primeira-dama.

    A máscara cai, ou, como diz um ditado lá de minha terra, o peixe morre pela boca.

    Uma semana depois, Nandinho encerrava um novo comentário, dessa vez de defesa incondicional dos atuais vazamentos, com um ‘Vivam os vazamentos e viva o sigilo constitucional da fonte’. Do contrário, dizia, não teríamos sabido dos escândalos decorrentes do Caso Master. Como se vê, para ele, assim como para a extrema direita, o fim sempre justificará os meios.

    Para um ‘ANTI-LULO-PETISTA juramentado’, que até hoje vibra e se regozija com vazamentos ilegais sempre seletivos e que têm como alvo os governos do PT, Lula e seus familiares, estranho seria, e sempre será, que demonstre verdadeiro sentimento de empatia por qualquer pessoa próxima do presidente que tenha sua vida devassada e seja criminosamente exposta.

    Assim como todos devem respeitar o sigilo da fonte, ninguém – e muito menos o então juiz Sergio Moro, a Polícia Federal, André Mendonça ou outros juízes do Supremo – tem o direito de vazar informações ainda sob sigilo processual. É crime e mais grave ainda se por conta disso a reputação de inocentes for destruída pela opinião pública e através do tribunal virtual da internet.

    A confirmação do sumiço completo de qualquer vestígio daquela ‘repugnância’ sentida diante de uma covardia e injustiça veio nos comentários acima, de extremo deleite e regozijo com a guinada no comportamento dos jovens argentinos diante do entreguismo e corrupção de Milei e a comemoração da vitória de Trump, esse corrupto belicista, saqueador, pedófilo, xenófobo, golpista, genocida e racista que representa a total decadência moral do velho Império do Norte frente ao inevitável declínio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Website Protected by Spam Master


3 + 8 =