O NOVO TRUQUE DE BOLSONARO

É muito óbvia a estratégia de Bolsonaro de tirar Mandetta da vitrine de divulgação diária e exclusiva das ações e do balanço da pandemia.

Além de punir o ministro que não pede para sair, Bolsonaro tira o foco das questões da saúde. Outros ministros vão aparecer nasn coletivas.

Sai de cena a ênfase na questão central. A área em torno da qual gira todo o plano de combate à pandemia fica diluída em meio a outras informações sobre recursos, equipamentos, logística e certamente o socorro aos pobres.

Mandetta foi muitas vezes sincero demais, ao admitir até mesmo que o sistema de saúde poderia entrar em colapso.

Depois, bateu nos manifestantes pró-abertura do comércio, que definiu como manada. E se quebrou ao insistir no foco da discórdia, que é a defesa, mesmo que de forma vacilante, do isolamento social.

Com uma entrevista coletiva com vários ministros, Mandetta será apenas mais um. Pode até ser o mais importante, mas não irá falar sozinho.

A informação sobre dados em geral (infectados, mortes, estrutura hospitalar, prevenção) e até a interpretação dos números não terá o teatro que vinha tendo.

Mandetta deixa de ser protagonista e corre o risco de virar coadjuvante entre Braga Netto, da Casa Civil; Paulo Guedes, da Economia; Onyx Lorenzoni, da Cidadania; Tarcísio Freitas, da Infraestrutura; e André Mendonça, da Advocacia-Geral.

Mas não só Mandetta vira coadjuvante. A saúde perde força no meio de números e ações dos ministérios.

O maior dano pode ser sobre a análise dos dados, que Bolsonaro poderá orientar e manipular como quiser, enfatizando ou escondendo informações no meio de tanta gente, tantos números e tantas interpretações.

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