O OBEDIENTE

Uma pergunta que ninguém fez ainda a Sergio Moro e que poderia ser feita hoje no depoimento do ex-juiz na Câmara:
Deltan Dallagnol foi um bom subordinado na Lava-Jato, ou Vossa Excelência tem algum reparo a fazer ao trabalho dele como seu subalterno para plantar notícias nos jornais, para forçar delações e para evitar que testemunhas indicadas por Vossa Excelência desistissem e arriassem?
No dia 13 de março de 2016, Dallagnol enviou essa mensagem a Moro:
“E parabéns pelo imenso apoio público hoje. Você hoje não é mais apenas um juiz, mas um grande líder brasileiro (ainda que isso não tenha sido buscado). Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal. Sei que vê isso como uma grande responsabilidade e fico contente porque todos conhecemos sua competência, equilíbrio e dedicação”.
Nas mensagens divulgadas até agora, Dallagnol é sempre o obediente emotivo, o cara que cumpre ordens sobre a sequência de ações, as testemunhas, as provas e os delatores, e poucas vezes sugere algo, cheio de cuidados para não ferir a hierarquia e a liderança do chefe que ele idolatra.
A relação, pelo que se vê, é à moda antiga, de imposição de comando, de exercício do cargo pela afirmação de quem manda e de quem obedece.
Moro deve comentar hoje se, depois de tantos anos juntos (o ex-juiz era um pouco frio com Dallagnol), o resultado foi o que ele esperava, ou o procurador falhou em alguma tarefa sob seu comando.

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