O conselho dos italianos à bandidagem: ameacem o juiz e esculhambem com o processo

Os estagiários do Supremo estão assustados. Valeu na Suprema Corte da Itália, em favor de Carla Zambelli, o argumento que a extrema direita tentou fazer valer aqui quando do julgamento dos golpistas.

Um juiz ameaçado por bandidos passa a ser parte no processo, como vítima, e deve abandoná-lo. Foi o que valeu para impedir a extradição de Zambelli. Alexandre de Moraes é considerado juiz suspeito.

A Corte italiana observa que Moraes participou do julgamento que condenou Zambelli a 10 anos de prisão pela invasão do sistema do CNJ e pela inserção, nesse sistema, de um falso mandado de prisão contra ele próprio.

Assim ficaria configurado que o julgador e a pessoa atingida por um dos crimes atribuídos à ex-deputada são a mesma pessoa. Ora, Moraes só foi alvo de Zambelli por relatar processos contra os golpistas parceiros da ex-deputada.

Aí fica fácil para a bandidagem e o bolsonarismo. É só ameaçar o juiz, como eles fazem até hoje com Moraes, e tentar tirá-lo do julgamento dos bandidos ameaçadores. Os bandidos criam o conflito.

No julgamento do golpe, a turma do general Mário Fernandes tentou usar a mesma estratégia. Armaram um plano para matar Moraes, Lula e Alckmin. No processo, alegaram que, como Moraes era o alvo, não poderia julgá-los. O ministro era alvo exatamente por estar relatando o processo do golpismo.

Mas se sabe que aqui os bandidos comuns ameaçam os promotores, os procuradores e os juízes de primeira instância. E os bandidos organizados em partidos, famílias e milícias ameaçam ministros do STF.

Os juízes italianos das regiões dominadas pelas máfias sabem do que se trata. Mas não se preocupam com essas coisas porque a Itália está de novo sob a imposição do fascismo.

Juízes italianos sabem que há lá na terra deles casos de máfias e magistrados acumpliciados. E que juízes confraternizam com mafiosos até em banquetes. Aqui no Brasil acontece coisa parecida.

(Na hermenêutica de juristas de direita, em especial os lavajatistas, é isso mesmo. O juiz é ameaçado e deve saltar fora do processo, porque é o que determina a lei. Bandidos comuns e bandidos políticos têm uma arma poderosa. No meio do processo, devem mirar no relator, não para possíveis críticas, que é do jogo, se formuladas pelos advogados, mas para ameaçá-lo mesmo. Se possível, criando decisões falsas da Justiça, como fez Zambelli, e até montando um plano para matá-lo, como fez Fernandes.)

5 thoughts on “O conselho dos italianos à bandidagem: ameacem o juiz e esculhambem com o processo

  1. Que honraria internacional, hein ? No Brasil, Sergio Moro foi declarado JUIZ PARCIAL por Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Carmen Lúcia e Dias Toffoli. Agora temos um JUIZ PARCIAL, assim declarado pela mais alta Corte de Justiça da República Italiana. Por seis magistrados italianos. Itália, o berço do Direito desde a Roma Anttiga.

  2. Faltou falar mal dos jornalões e de como a Folha de São Paulo influencia os magistrados italianos contra o Alexandre de Moraes.

    Mete aí um “jornalões”, Moisés, para o texto ficar excelente. Senti falta do termo “jornalões”.

  3. “Aí fica fácil para a bandidagem e o bolsonarismo. É só ameaçar o juiz, como eles fazem até hoje com Moraes, e tentar tirá-lo do julgamento dos bandidos ameaçadores. Os bandidos criam o conflito.” É isso aí… Na mosca.

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