O silêncio de Malu Gaspar
Malu Gaspar decidiu denunciar Alexandre de Moraes a partir da suspeita de que o ministro teria cometido um gesto moralmente insustentável, quando decidiu fazer lobby pelo Banco Master junto ao Banco Central. É o que ela diz.
Se ele cometeu crime, é outro departamento. O que Malu Gaspar disse, ao acusar Moraes de atitude inadequada, é que o ministro foi antiético e imoral, antes de ferir normas da magistratura.
A grande imprensa curte essa missão de ser patrulha da moral alheia. Pois Malu Gaspar e todos os jornalistas brasileiros tiveram um caso exemplar de atitude moralmente condenável na magistratura.
Malu Gaspar teve, como todos os jornalistas brasileiros, a prova de que o véio da Havan chamou desembargadores de Santa Catarina para um banquete. Numa atitude eticamente reprovável por admissão de culpa dos próprios magistrados.
Malu Gaspar teve a prova de que quatro, entre oito desembargadores que participaram do banquete com o véio da Havan, em 16 de dezembro de 2024, julgavam processos em que o poderoso anfitrião era parte interessada.
Malu Gaspar teve acesso público a todas as informações sobre a decisão desses quatro desembargadores de se afastarem dos processos, depois de flagrados no banquete. Eles ofereceram a prova de que agiram errado.
Colegas de Malu Gaspar na Folha e no Estadão noticiaram o fato, a partir de um furo do jornalista Vinicius Segalla, do DCM, compartilhado por toda a grande mídia e pela mídia alternativa ou progressista ou de esquerda. O banquete foi notícia nacional.
Mas Malu Gaspar, a colunista das notinhas com intrigas, não deu uma linha sobre o banquete do véio da Havan com desembargadores de Santa Catarina. Uma linha. Uma só.
Mesmo sabendo que o véio usa seu poder para perseguir e tentar calar colegas jornalistas na Justiça de Santa Catarina. Colegas de profissão mereceriam uma notinha de Malu Gaspar. Não mereceram nada.
Malu Gaspar e todos os colegas jornalistas da Globo, que são pelo menos 500 profissionais, não deram uma linha, uma só, sobre o banquete de Brusque.
O Globo foi o único veículo da grande imprensa a proteger os desembargadores e o véio da Havan, escondendo um fato com foto e provas e com a confissão de que a atitude era condenável, sob qualquer ponto de vista.
Malu Gaspar é uma moralista seletiva, com todo o direito de exercer seu jornalismo investigativo, mas temerosa, como muitos outros, do poder econômico do véio da Havan anunciante dos veículos do grupo Globo e ativista de extrema direita adorador de Pinochet.
Vamos repetir: Malu Gaspar, a jornalista que acusou Alexandre de Moraes sem provas, é uma moralista seletiva a serviço da nova etapa do lavajatismo que ela tanto propagandeou no Globo.

No ano 44 A.C., o grande conquistador Júlio César foi assassinado dentro do senado de Roma. Antes e depois disso, o extermínio físico de governantes, políticos ou personalidades de outros campos de atuação, tão ou mais conhecidos e emblemáticos do que a morte do líder romano, sempre foi um dos recursos empregados por inimigos daqueles que despertaram a ira individual, de pequenos grupos ou de parcelas consideráveis da sociedade.
Foi assim, mais recentemente, com Trotsky, Mussolini, Mahatma e Indira Gandhi, com os irmãos Kennedy, Che Guevara, Allende, Sadat, Gaddafi e tantos outros e outras que atraíram para si o ódio dos oponentes.
No mundo polarizado dessa quadra do século 21, não podiam faltar assassinatos, tentativas frustradas ou simuladas e planos para assassinar outros líderes políticos ou personalidades de destaque que, na avaliação dos executores ou dos mandantes, eram impecilhos à consumação de seus mais escusos interesses.
Entram nessa lista o ‘insucesso’ de Adélio Bispo em Juiz de Fora, que culminou na impulsão eleitoral do candidato da extrema direita, o atentado contra Trump na última campanha, e o plano abortado dos assassinatos de Lula, Alckmin e Moraes por parte dos líderes golpistas agora presos, batizado de Punhal Verde Amarelo.
Por tudo que hoje representam, Lula e Moraes são alvos preferidos e até permanentes do ódio da velha direita e da extrema direita e seus tentáculos, dos quais, os veículos da imprensa tradicional e jornalistas capachos são alguns dos expoentes nas ininterruptas tentativas de destruição da honra e reputação dessas lideranças de dois dos três poderes de nossa sempre tão frágil República.
Quando começa a se fechar o cerco contra Sergio Moro e seus cupinchas, a ‘insuspeita’ e ‘competente’ Malu Gaspar, que não teve pudores ou escrúpulos para legitimar a farsa da aura de heroísmo de Moro e da força-tarefa montada para perseguir Lula e destruir a infraestrutura industrial do país, depois de um daqueles ‘silêncios ensurdecedores’, por ter provocado mais ruídos e especulações do que se tivesse acrescentado algo novo e consistente ao que parece que seriam suas próprias especulações sobre o lobby do ministro do STF no caso Master, sai agora com outro texto capenga para dizer, ’em público, alto e bom som’, que não tem prova alguma e, vergonhosa e bisonhamente, critica ‘os falsos heróis’ e cobra provas de Galípolo para a versão dada a respeito dos contatos com Moraes.
Pelo visto até agora, Malu Gaspar, assim como Eliane Cantanhêde, Andréia Sadi e Míriam Leitão, tenta se firmar como a mocinha protagonista não apenas da Lava Jato, mas também de toda extrema direita. E sem dar a mínima para uma autocrítica sobre seu papel diante das inequívocas evidências da tal foto exibida pelo Moisés Mendes no artigo ‘Vá à luta e mostre as provas, Malu Gaspar’.
Correção: ‘… eram empecilhos à consumação de seus mais escusos interesses.’
Imprensa não deveria divulgar suas conclusões por investigações sem antes ouvir as partes. Deveria denunciar nos órgãos policiais ou judiciais competentes, com as devidas provas, antes de jogar a dita informação no ventilador.
Mentir, pressupor conteúdo ou inventar não deveria ser tratada como liberdade de imprensa.