Serra, o valente

Depois de sugerir que havia sérios riscos de um conflito com a Bolívia, o chanceler José Serra enfrenta agora o perigoso Uruguai.

A diplomacia brasileira da turma do interino vai mostrando uma face de envergonhar a história do Itamaraty. Mas é assim que finalmente alguns entendem como o tucano chanceler sobreviveu por anos como sendo de esquerda (como o patético Cristovam Buarque), quando é na verdade um reacionário dissimulado.

Vou contar de novo, porque não custa nada, que Serra retornou ao Brasil dois anos antes da anistia de 1979. Se fosse de fato um exilado com um mínimo de importância, não teria o peito de voltar antes.

O perfil de Serra no Wikipedia omite este detalhe de que ele desfilava por aí, numa boa, enquanto verdadeiros exilados não poderiam nem mesmo considerar a hipótese de retornar ao país.

Se o tucano representasse qualquer possibilidade de ameaça ao regime, ele voltaria, seria preso e, quem sabe, torturado e morto, como aconteceu com muitos dos que desafiaram a ditadura.

Serra voltou, passou a dar aulas na Unicamp e passeava com o cachorrinho pela Avenida Paulista. Nunca ninguém o incomodou. Serra era um esquerdista manso, inofensivo, não era nada. Os militares o ignoravam.

É por isso que ninguém deve se surpreender quando ele chama o embaixador do Uruguai, para que dê explicações sobre as declarações do governo de Tabaré Vásquez de que o Brasil joga sujo e chantageia os parceiros para fragilizar a Venezuela no Mercosul.

De briga em briga com nossos vizinhos, só falta o valente Serra declarar uma nova Guerra do Paraguai. É destemido esse José Serra.

 

One thought on “Serra, o valente

  1. A exemplo de jose serra, fernando henrique cardoso foi outro personagem que jamais ameaçou desestabilizar o regime militar recém imposto. Aposentado precocemente, sentiu-se livre para exibir toda sua exuberância intelectual durante seu exílio voluntário no chile. Enquanto isso no Brasil, em setembro de 1969 era sequestrado o embaixador americano charles burke elbrick, cuja vida foi poupada em troca da libertação de 15 prisioneiros políticos. Em 1970, ano da prisão de dilma Roussef pelas forças do regime militar, aconteceram mais quatro sequestros de embaixadores. Ao todo, foram libertados aproximadamente 115 prisioneiros políticos, e em nenhum momento o nome de dilma figurou na lista dos que deveriam ser soltos. De todas as tentativas feitas com a intenção de libertar outros presos políticos, o nome de dilma insistia em não ser incluído. sabe-se que dilma participou de algumas ações do Var-Palmares, e mesmo depois disso, seu nome jamais figurou na lista daqueles de deveriam ter sua liberdade em troca da vida de algum sequestrado. Será que seus companheiros esperavam de dilma algo mais que simples voluntarismo? ou será que já TINHAM CONSCIÊNCIA DAQUELES DETALHES QUE IRIAM DETERMINAR SEU DESEMPENHO FRENTE AO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA PETROBRÁS, OU DURANTE A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA? Assim, conclui-se que a POUCA IMPORTÂNCIA QUE O GOVERNO MILITAR DEU A JOSE SERRA E A FERNANDO HENRIQUE, é a mesma QUE FOI DISPENSADA A DILMA PELOS SEUS COMPANHEIROS. Ambos os lados chegaram a conclusão de que eles simplesmente não valiam a pena.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Website Protected by Spam Master


7 + 5 =