OS AVISOS DOS MILITARES DA VIZINHANÇA

Bolívia e Peru oferecem alguns sinais do que pode acontecer no Brasil, quando Lula retornar ao poder e tiver de devolver os militares às suas tarefas, depois de escolher os comandantes das três armas, além do ministro da Defesa.

Na Bolívia, o presidente Luis Arce já trocou três vezes o alto comando das Forças Armadas. Em apenas um ano de governo. Arce descobria, logo depois das nomeações, que os escolhidos eram inconfiáveis.

O general confiável hoje pode ser um golpista amanhã, como aconteceu quando se acovardaram diante do motim da Polícia Nacional e derrubaram Evo Morales em 2019.

No Peru, na semana passada, o presidente Pedro Castillo livrou-se de dois militares, o general José Alberto Vizcarra Álvarez, comandante do Exército, e o tenente-general Jorge Luis Chaparro, comandante da Força Aérea.

Os dois foram empurrados para a reserva. Haviam sido escolhidos por Castillo para os cargos de comando em agosto.

Os generais descartados reagiram, junto com outros militares que já ocuparam posição de liderança no Peru, e começa a correr uma investigação no Congresso.

Castillo e o ministro de Defesa, Walter Ayala, são acusados por oficiais de pijama e pela oposição de se livrarem dos dois generais e, ao mesmo tempo, tentarem promover irregularmente a general, fora dos critérios previstos, militares confiáveis ao governo.

Militares são de novo protagonistas em alguns países da redondeza. No Brasil, como Bolsonaro admitiu em Roma, o governo é de militares, que pararam de sugerir ameaças de golpe para se envolver em rolos da pandemia.  

Na Bolívia, os três comandantes, de Exército, Marinha e Aeronáutica envolvidos no golpe de novembro de 2019 estão encarcerados em prisão preventiva.

A exceção é o ex-chefe das Forças Armadas do governo de Morales, o general Williams Kaliman, que teve prisão decretada pela Justiça como um dos chefes do golpe e está foragido desde julho.

Todos traíram Morales e avalizaram a trama desencadeada por um motim da Polícia Nacional, fomentada por líderes civis da direita e da extrema direita. O chefe do golpe foi o hoje governador de Santa Cruz de la Sierra, Luis Macho Camacho, o Bolsonaro boliviano.

Também estão presos comandantes que assumiram seus cargos depois do golpe, no ‘governo provisório’ da então senadora Jeanine Añez, que ocupou o lugar de Morales.

Jeanine também está presa desde março, acusada pelo Ministério Público por uma dúzia de crimes, incluindo corrupção. O único líder solto é Camacho, o cabeça civil do golpe.

Há processos abertos contra Jeanine, 17 ex-ministros que trabalharam com ela durante um ano de golpe, 13 ex-chefes militares e 32 oficiais e policiais subalternos da Polícia Nacional, que é a polícia ostensiva deles (semelhante às PMs no Brasil), mas com atuação em todo o país e com comando federal. Sete ex-funcionários do governo também são processados.

Na Argentina, o Ministério Público investiga a participação de militares no golpe na Bolívia. Por ordem de Mauricio Macri, a Argentina enviou armas e munições aos colegas golpistas bolivianos em 2019.

Mantém-se na Bolívia um clima permanente de golpe desde a eleição de Luis Arce em outubro do ano passado. Há manifestações e conflitos com a polícia em várias regiões, onde a direita consegue mobilizar indígenas contra o governo. 

No Equador, sob o pretexto de combater a violência e o tráfico, o presidente Guilhermo Lasso assegurou às polícias e às Forças Armadas o direito de agir com violência sem o risco de punição. 

É o que eles chamam de estado de exceção, que coloca Lasso no colo dos militares, mesmo que nem todos concordem. 

O almirante Fernando Danoso renunciou pouco antes das decisões de Lasso, que conta com os seus generais para ameaçar fechar o Congresso e controlar as manifestações nas ruas contra o aumento da miséria. 

No Paraguai, onde polícias e militares se misturam, o presidente Mario Abdo Benítez fortaleceu as Forças Armadas para combater a guerrilha Exército do Povo Paraguaio (EPP) e organizações separatistas.

Aqui, o que espera Lula não é pouca coisa.

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