Os cúmplices

As investigações do Ministério Público sobre a participação da Volkswagen como colaboradora direta da repressão, durante a ditadura, criam uma expectativa que até bem pouco tempo parecia improvável.
Apurações da Comissão da Verdade, entendidas até hoje como conclusões inconsequentes, podem abrir uma porteira fechada desde o golpe de 1964. É a que levaria às empresas que, como a Volks, colaboraram para perseguir “suspeitos” e até oferecer espaços para salas de tortura.
A perseguição aos inimigos da ditadura só foi possível, em muitos casos, com a ajuda de empresários. Sabe-se disso desde antes da Comissão da Verdade.
Se o caso da Volks for mesmo levado adiante e resultar na confissão de culpa, como noticia o site Sul21, teremos um precedente que muitos não imaginavam.
Se não é possível chegar aos torturadores “anistiados”, que se identifique a cumplicidade direta das empresas com os mandaletes dos ditadores. E que, a partir desse exemplo, daqui a alguns anos a História julgue e decida o que fazer também com os que colaboraram com o golpe que derrubou Dilma.
Ah, dirão, não são a mesma coisa. Não são a mesma coisa o Carlos Magno e o rei Arthur.

 

One thought on “Os cúmplices

  1. Até o reacionário mais empedernido tem conhecimento dos crimes que um bando de torturadores psicopatas e assassinos, cometeram em nome da ditadura a partir de 1964, e que culminaram com os assassinatos do deputado Rubens Paiva, em 1971, do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, até a farsa montada para o atentado do Riocentro, em 1981. A Comissão Nacional da Verdade teve o cuidado de levantar os nomes de todas as vítimas da repressão, bem como o nome de seus assassinos. Mas há uma pergunta que se impõe: e o nome das vítimas dos guerrilheiros? Ora, todos sabemos que aqueles grupos armados e organizados sob siglas como ALN, MR-8, Var-Palmares, Colina, não estavam interessados em restabelecer o regime democrático, muito pelo contrário. Basta um rápido passar de olhos em qualquer uma de suas cartilhas para se perceber que a luta era, sim, contra a repressão, mas com a intenção de substituí-la por um regime socialista. Seria como saltar da frigideira para o fogo. Na internet está o nome de todas essas vítimas, são mais de cem, a maioria pessoas comuns sem ligação com qualquer um dos lados. Eram gerentes de banco, donas de casa, motoristas, estudantes, lavradores, comerciários… Resgatar essas nomes pela Comissão Nacional da Verdade não significaria apenas uma prestação de contas para com a história, mas um tributo à memoria desses inocentes que, para essa história que está sendo contada hoje, eles sequer existiram.

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