Os delegados do Facebook

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Três delegados da Polícia Federal foram afastados das investigações da Lava-Jato. O que se espalhou logo é que todos participavam das sindicâncias envolvendo Lula.

São estes os que a PF designou para outras atividades: Eduardo Mauat da Silva, Duílio Mocelin Cardoso e Luciano Flores.

O chefe deles é o comandante-geral da Lava-Jato na PF, o coordenador da força-tarefa em Curitiba, delegado Igor Romário de Paula (foto).

Fui pesquisar para ver se os três afastados tinham alguma relação com os delegados que mantinham um grupo no Facebook para, durante a campanha de 2014, atacar o PT, Lula e Dilma e elogiar Aécio.

O nome deles não consta da reportagem de Julia Dualibi, que o Estadão publicou em 13 de novembro de 2014. No grupo, Lula era “a anta” e Aécio era, segundo Igor, “o cara”.

Eram cinco delegados dedicados a fazer campanha para Aécio e a desqualificar os petistas. O grupo tinha o propósito de denunciar que “o comunismo e o socialismo são um mal que ameaça a sociedade”.

A turma se intitulava Organização de Combate à Corrupção. O símbolo era uma caricatura de Dilma com dois dentões, com uma faixa vermelha onde se lia: “Fora PT”.

Era tudo meio colegial. Claro que um policial que fazia parte do grupo, talvez como infiltrado, saltou fora ou se arrependeu e passou tudo para a jornalista do Estadão.

A constatação oferecida pela reportagem era óbvia: parte importante da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba assumia uma postura explicitamente tucana e antiPT. Não só era tucana como fazia militância declarada, mesmo que entre eles, pela internet.

O grupo, talvez muito atarefado com outras atribuições, sumiu logo depois. Se a atividade era normal, por que não ficaram?

O que aconteceu com esse pessoal? Nada. O delegado Igor, que achava Aécio o cara, é o mesmo que anunciou agora o desligamento dos três colegas.

Igor e seus agentes perderam protagonismo na Lava-Jato. As estrelas passaram a ser o juiz Sergio Moro e, num andar abaixo, o procurador Daltan Dallagnol.

Os delegados viraram figurantes, enquanto os outros dois brilhavam, até porque o símbolo deles, o japonês adorado pela direita, também era corrupto. Igor tentou impor ao Google e ao Facebook que retirassem da internet textos com críticas dirigidas a ele pela suspeita de que é tucano. Os processos não prosperaram.

O que se espera, daqui a alguns anos, é que sejam esclarecidos pontos obscuros da Lava-Jato, como a existência do tal grupo militante anticomunista e, agora, o afastamento dos três delegados.

Também ficaremos sabendo, quem sabe, como eram selecionados os vazamentos de depoimentos e feitos os grampos ilegais. E como os delegados posicionados politicamente à esquerda, ou que não se articulavam nem se identificavam com a turma do Facebook (em Curitiba e fora dali) viam tudo isso.

Até porque não se imagina que todos os delegados da PF tenham aderido em massa à direita,

 

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