OS FUTUROS DE LULA, CIRO E BOLSONARO

O marqueteiro João Santana voltou ao catálogo dos bruxos depois da entrevista ao Roda Viva. Santana não pode ser subestimado na sua previsão sobre o futuro de Bolsonaro. Também, não devem zombar da sua torcida pela aliança de Lula com Ciro Gomes.

Primeiro, o futuro de Bolsonaro. O que ele disse no Roda Viva reverte muito do que se sabe e do que se diz sobre o fenômeno da extrema direita.

Santana diz que Bolsonaro vai se esvair, antes da eleição de 2022, não necessariamente por causa de fracassos na economia, mas porque ninguém aguentará por muito tempo sua performance excessiva.

Bolsonaro vive de exageros, e esses excessos na construção do tipo farão com que sua figura e seu discurso cheguem logo à exaustão.

Bolsonaro é, disse ele, um caso patológico de pão e circo. Bolsonaro é uma caricatura dele próprio. O Brasil não aguentaria mais um porre de fascismo.

João Santana pode estar antecipando o que acontecerá nas eleições municipais. Candidatos com vínculos com Bolsonaro não prosperam.

O mais forte, Celso Russomanno, caiu tanto nas pesquisas que está confuso. Na semana passada, decidiu abandonar as referências e as conexões com Bolsonaro.

Agora, anunciou que vai fazer o contrário e ir para o tudo ou nada. Agarrou-se de novo a Bolsonaro. No Rio, Crivella também definha.

E agora a previsão sobre Lula. Santana acredita que Lula deve se aproximar de Ciro Gomes e que uma chapa com a dupla teria grandes chances em 2022.

Mas com Lula de vice de Ciro. O marqueteiro mostrou na entrevista que é um homem esquecido. Muitas vezes, não se lembrava do raciocínio de meio minuto antes.

A primeira e mais óbvia conclusão sobre a tese da chapa Ciro-Lula é essa: alguém imagina que Lula possa, por quatro anos, ser o vice de Ciro? E que, mesmo que fique num canto, quieto e com máscara, Lula deixará de ser uma sombra para Ciro?

E tem quem considere que o desgaste entre os dois seria insuperável. Mas o próprio Lula responde aos descrentes.

Em entrevista ao Diário do Grande ABC, Lula voltou a defender uma frente contra Bolsonaro. E citou nomes, nessa ordem: “Hoje nós temos quatro governadores, nós temos o Flávio Dino, nós temos o Ciro Gomes, temos o Fernando Haddad”.

Lula citou Ciro antes de citar Haddad, o que pode ter sido apenas casualidade. E agora? Pode ter sido também por casualidade que Lula se referiu a Ciro Gomes dois dias depois da entrevista de João Santana. E que em setembro tenha se encontrado com Ciro (num encontro que até agora vinha sendo mantido sob sigilo) para tentar uma trégua.

Santana talvez não tenha ferramentas atualizadas para lidar com a política de hoje. Em alguns momentos da entrevista, pareceu meio perdido e esquecido.

Mas e se ele acertar a previsão sobre Bolsonaro e contribuir, com seu palpite, para a reaproximação entre Lula e Ciro Gomes?

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Os quatro governadores do PT lembrados por Lula são Camilo Santana, do Ceará, Wellington Dias, do Piauí, e Rui Costa, da Bahia, que completam o segundo mandato e estarão disponíveis para outros cargos em 2002, mais Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte, que tentará a reeleição.

One thought on “OS FUTUROS DE LULA, CIRO E BOLSONARO

  1. Esta “Política” TAPUia é bem curiosa, para dizer o mínimo. Por exemplo, Ciro, em São Paulo, apoia Márcio França, e não tatto do pt, muito menos Boulos do PSOL. Seriam peculiaridades regionais ou pura falta de identidade ideológica? Isso deve ser corrigido até 2022.

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