Os generais que o bolsonarismo esqueceu
Os núcleos de idealizadores, planejadores e executores do golpe, formados em torno de Bolsonaro, tinham a predominância de militares. Nessa estrutura, dos 29 condenados pelo STF no ano passado, 23 vestiram ou ainda vestiam fardas. Cinco eram generais.
Mas ninguém da extrema direita fala deles, nem vai falar dos perdedores presos, nesse 1º de abril que marca os 62 anos do golpe de 64. Os militares golpistas fracassados não significam mais nada para o fascismo civil.
Tanto que Ronaldo Caiado disse, no discurso em que se apresentou como candidato do PSD, que sua primeira decisão como presidente seria a anistia ampla, geral e irrestrita.
E enfatizou: inclusive para beneficiar Bolsonaro. Mas não citou nenhum líder militar. Não falou de Braga Netto, Augusto Heleno, Almir Garnier ou de Paulo Sergio Nogueira.
Talvez não devesse falar dos kids pretos e do general Mario Fernandes, o chefe deles e autor do plano para matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes. Porque é complicado homenagear planejadores de assassinatos da história recente.
Mas Caiado não falou dos que estiveram sempre ao lado de Bolsonaro até perto do fim planejado, quando debandaram, o chefe fugiu para os Estados Unidos e os manés desavisados invadiram Brasília.
A família Bolsonaro fala dos que teriam sido condenados injustamente e cita Débora do batom, Fátima de Tubarão e as velhinhas com Bíblias que teriam ido rezar em Brasília. E falam sempre do chefe da família, do grande chefe da organização criminosa.
Mas ninguém fala dos militares, todos eles abandonados na cadeia pela extrema direita que afrontou a democracia, os eleitores, as instituições e o presidente eleito.
Braga Netto está encarcerado desde 14 de dezembro de 2024, quando foi preso preventivamente. Vai cumprir uma pena de 26 anos. Era o principal nome das Forças Armadas na montagem do golpe.
Foi chefe da Defesa de Bolsonaro e seu vice na chapa derrotada. Está esquecido e abandonado numa cela de um quartel do Rio. Todos os outros não são citados em nenhuma fala da família e de líderes do bolsonarismo.
A anistia ampla, geral e irrestrita vem sendo articulada há muito tempo para também contemplá-los. Mas ninguém tem coragem de citar nenhum general.
Podem até visitá-los na cadeia, se é que visitam, mas ninguém se manifesta publicamente pelos oficiais. Porque nenhum deles tem voto. E todos eles, que se envolveram com Bolsonaro, acabaram desmoralizados. São militares que ficaram com a marca do fracasso como golpistas.
Por covardia, deputados e senadores da direita não usam as imunidades dos mandatos para defender os seus generais. Defendem manezinhos e manezões civis, mas não um manezão fardado.
Bolsonaro desfrutou do poder e preparou sua permanência em Brasília a qualquer custo com o suporte desses generais e de mais de 6 mil militares em cargos de confiança que poderiam ter sido entregues a civis.
Governou com um general de vice, Hamilton Mourão, que se elegeu senador pelo Rio Grande do Sul. Escolheu um general para ser candidato a vice na disputa por um segundo mandato.
Estava cercado por militares, entre os quais o faz-tudo Mauro Cid, que acabou por delatar o chefe e os seus ajudantes de alta patente como golpistas. Mas ninguém, nem Bolsonaro, nem os filhos, ninguém fala dos militares abandonados.
São muitas as especulações sobre a índole de Flávio. E o que mais até a direita prevê é que também ele tentará um golpe, se for eleito ou se for derrotado. Com o abandono dos fardados pelos golpistas civis, que general iria se oferecer para estar ao seu lado?

Moisés, você está muito louco! Você está igual ao Lulão!
Se a anistia é AMPLA, GERAL e IRRESTRITA, por que alguém que pretende assinar isso como presidente tem de dar o nome de cada pessoa que está presa?
Meu Deus! Meu Deus!
Anistia ampla, geral e irrestrita só vale para terroristas, assassinos, assaltantes de banco, latrocidas, sequestradores de diplomatas. Só vale para quem confecciona um carro bomba e o faz explodir na guarita do QG do II Exército no Ibirapuera, explodindo pelos ares o soldado Mário Kozel Filho, que estava ali cumprindo o serviço militar obrigatório, aos 18 anos de idade. Aí vale.
A verdade ampla, geral e irrestrita é que messias bolsonaro foi em cana e não houve comoção popular nenhuma. O resto da milicada passou por uma baita humilhação e não houve nenhum movimento da caserna. Ou seja, segue a vida!!
Nandinho, você só leu a parte da história que te interessava por conta dessa idolatria pelo regime ditatorial que teve cinco generais como supostos presidentes da República. Eram ditadores cruéis, sanguinários, verdadeiros fantoches e traidores da pátria à frente de um projeto de entreguismo do Brasil aos interesses estadunidenses levado a cabo com a deposição de Jango, um democrata reformista que havia assumido o comando do país após a renúncia de Jânio Quadros, e a perseguição, prisão, tortura e extermínio dos principais opositores e focos de resistência.
Teve mais militares mortos durante esse período que eles próprios também querem esconder. Você, com essa amnésia seletiva, deixa de lado um dos episódios mais marcantes dessa época: a morte do sargento Guilherme Pereira do Rosário e os graves ferimentos do capitão Wilson Dias Machado, também dentro de um carro com explosivos. No dia 31 de abril de 1981, os dois estavam em um veículo Puma estacionado quando uma bomba explodiu no colo do sargento, que morreu na hora. A intenção dele e do comparsa era detonar esse e outro artefato explosivo durante um grande show musical alusivo ao Dia do Trabalhador no Centro de Convenções do Riocentro, com mais de 20 mil pessoas presentes, e acusar supostos grupos subversivos também apontados pelos governantes e pela imprensa apoiadora do golpe como terroristas. Exatamente a mesma pecha que hoje em dia Trump, o presidente do país mais belicista e terrorista do mundo, tenta colar em grupos narcotraficantes do México, do Equador, da Venezuela e agora do Brasil para justificar o envio de forças militares e intervenções armadas nesses países.
Também para refrescar tua memória, Nandinho, houve um certo Carlos Lamarca, capitão dissidente e desertor do Exército, que aderiu a um dos grupos de resistência à ditadura, que, por sua bravura e exemplo de dignidade e de defesa da soberania nacional, foi duramente caçado e, finalmente, morto no sertão da Bahia, no ano de 1971. Claro que na versão e aos olhos dos golpistas, o traidor era Lamarca e não eles.
Para ocultar os vários crimes que os próprios militares e empresários beneficiados com o golpe apoiado e financiado pelo governo dos EUA tentaram esconder com farsas montadas e atestados de óbitos falsificados, você traz à tona a morte de um jovem soldado e tenta apagar o assassinato de centenas de jovens e adultos, homens e mulheres, que lutaram bravamente para devolver o país aos brasileiros.
Enquanto a morte do soldado Mário Kozel Filho foi uma exceção e certamente um erro tático de seus autores, a morte do jovem estudante Edson Luís de Lima Souto, também aos 18 anos, baleado por policiais militares dentro do Restaurante Calabouço, no centro do Rio de Janeiro, em 1968, fez parte de uma série de crimes e abusos sistemáticos de um regime extremamente bárbaro que perdurou por 21 anos.