OS JOVENS E A CLASSE MÉDIA

Escrevi para o jornal Extra Classe online sobre os cinco anos dos protestos do inverno de 2013 e lancei mais perguntas do que afirmações.
Mas vou esclarecer um ponto da minha posição, para que não especulem sobre o que não escrevi.
Entendo que quaisquer tentativas de ver as passeatas pós-junho de 2013 como uma cauda dos movimentos iniciados pelos estudantes no começo daquele ano em Porto Alegre (e não no Rio, como muitos analistas acham que foi), comete um erro brutal.
O que vem depois, com a classe média que vai às ruas (nunca vi tanta tristeza em passeatas como aquelas) não tem nenhuma relação com os impulsos dos jovens que se mobilizam com força a partir do começo de 2013.
Os jovens tinham seus motivos variados para sair às ruas e queriam desafiar, transgredir e serem jovens. Protestaram contra o aumento da passagem do ônibus, contra o Fuleco, contra o governo e o que viesse pela frente. Mas eram na essência jovens em movimento, não eram golpistas.
Já a classe média assustada com a ascensão dos pobres, que engrossa as mobilizações de rua a partir do inverno de 2013, tomando a inquietação das mãos dos estudantes, tinha apenas suas incertezas e seus medos.
Os jovens que em algum momento perdem o controle dos protestos para a Globo e Sergio Moro estavam sendo jovens. E a classe média estava tentando se manter como classe média.
Dizer que os movimentos de rua iniciados pelos estudantes têm alguma relação com as passeatas da classe média desiludida, porque essas vêm na sequência e nas ruas, é mais ou menos como querer ver Trump como uma continuação de Obama só porque ambos ocuparam a Casa Branca.

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