OS SEGREDOS DO EX-JUIZ

Tente encontrar em algum site da grande imprensa uma linha, uma só, sobre o que Sergio Moro faz nos Estados Unidos. O que se sabe é o que sua assessoria divulga, como uma visita a uma aduana para saber como fazem o controle de mercadorias na fronteira com o México com uso de raio-X. Seria risível, se não fosse patético.
Hoje, esperava-se que o Jornal Nacional noticiasse alguma coisa. O principal personagem da política brasileira no momento deixa o país em meio a uma avalanche de vazamentos comprometedores, mas para a imprensa é como se ele tivesse ido até a esquina comprar pão.
A Folha já explicou que Moro não divulga a agenda. Sua assessoria deu a entender, em reposta a indagações do jornal, que o ex-juiz tem reuniões secretas com os americanos.
A assessoria alegou questões de segurança. Moro teme o que nos Estados Unidos? Informar que se reúne com agentes do terceiro time do FBI para saber como proteger o cigarro nacional? Que riscos Moro corre se divulgar com quem conversa em Washington?
A informação da Folha de que não conhece a agenda é uma desculpa preguiçosa. Jornalistas não cobrem atividades de homens públicos apenas de acordo com suas agendas. É preciso ir atrás das pistas dos encontros secretos. E muitas vezes o melhor é o que está fora da agenda.
O ex-juiz deve se sentir confortável. Não diz o que faz, mesmo que devesse dizer, por força de lei, e faz o que condena na política: esconde suas atividades com um pretexto sem fundamento.
Parece que Moro circula pelas cidades americanas (quais além de Washington?) sem incomodações, sem o risco de ser seguido por jornalistas. E deveria ser seguido.
Sergio Moro é uma das figuras ridículas do bolsonarismo.

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