OUTRO ALGOZ DE LULA NO LUGAR DE MORO?

Sergio Moro pode ter feito escola no jogo de poder da extrema direita. Há outro condenador de Lula na fila como candidato à vaga deixada pelo próprio Moro.

O próximo é o ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Carlos Eduardo Thompson Flores. O TRF4 revalidou e ampliou para 12 anos e um mês de reclusão a sentença de condenação de Lula no caso do tríplex, em janeiro de 2018, quando era presidido por Thompson Flores.

Foi ele quem cassou, em atitude controversa, o habeas corpus de julho de 2018, concedido pelo desembargador Rogério Favreto, que assegurava a libertação de Lula.

Thompson Flores deixou a presidência do Tribunal em junho do ano passado e já em novembro participou, agora como integrante da 8ª turma, do julgamento que reafirmou a condenação de Lula, no processo do sítio de Atibaia. Lula foi sentenciado, com pena ampliada, a 17 anos, um mês e 10 dias de prisão.

Pois o desembargador aparece em todas as listas como um dos prováveis sucessores de Moro. Alguém o colocou ali, mesmo que apenas como teste.

Se aceitar o convite para ocupar a cadeira deixada pelo ex-juiz, Thompson Flores deve se preparar para ler e ouvir críticas fortes. É do jogo da política e da democracia. O mesmo jogo que derrubou Moro.

Os órgãos da magistratura vão aceitar essa possibilidade como se fosse normal? Não é normal, não há como aceitar, nem como parte da anormalidade brasileira.

Um segundo nome envolvido na condenação de Lula pode ocupar o Ministério da Justiça de Bolsonaro? Não pode. Não se trata do repetido não deve. Não pode.

A afronta não pode se repetir. O próprio Moro tem a obrigação de alertar o parceiro de que corre o risco de entrar numa fria. Não por questões éticas que o próprio Moro ignorou, mas por participar do governo sustentado por uma família com ligações com milicianos e que tenta controlar a Polícia Federal para que não chegue perto dos seus crimes.

A especulação em torno do nome de Thompson Flores talvez seja apenas uma tentativa de expô-lo para ligá-lo aos esforços de blindagem dos Bolsonaros. Escrúpulo não pode ter virado uma palavra sem sentido para os magistrados.

(Texto publicado originalmente no Brasil 247)

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ANOTAÇÕES
No final do discurso de Bolsonaro ontem, prestei atenção às reações. Hamilton Mourão era um dos que aplaudiam com mais entusiasmo.

O véio da Havan, que ontem elogiou muito Sergio Moro e não defendeu Bolsonaro, pode ser o próximo dissidente.

Moro é mais uma vítima da maldição do golpe, que já acabou com Aécio, Eduardo Cunha, Romero Jucá, Renan Calheiros e o Quadrilhão do Jaburu. Bolsonaro é o próximo.

Moro grampeou Dilma, grampeou Lula e agora grampeou Bolsonaro. A vida de Moro é grampear presidentes e ser grampeado.

Folha e Globo fizeram a mesma pauta: a preocupação dos generais com o futuro do governo. Parece mais palpite-torcida do que jornalismo.

Corre a tese de que o tom de Moro na despedida fortalece Bolsonaro como líder traído.

Paulo Guedes transmite a sensação de fragilidade física. Será que vai aguentar o tranco?

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