Parecidos e diferentes

Li agora há pouco a notícia sobre o trio espanhol Rafael Aranda, Carme Pigem e Ramón Vilalta, do estúdio catalão RCR Arquitectes, que venceu o Pritzker, o mais importante prêmio da arquitetura mundial.

Fiquei curioso para ver o que eles fazem e me perdi por uma hora na internet olhando fotos e lendo textos sobre as obras fabulosas desse grupo. Até que encontrei um prédio parecido com algo que conheço.

Um dos projetos do RCR é muito semelhante ao da casa dos Marinho na ilha de Santa Rita, na Baía de Paraty, no Rio (a suspeita casa da família da Globo é um assunto que a imprensa não gosta de abordar).

Agora, detalhes que põem as duas obras em desacordo. O projeto do RCR, anterior ao da casa de Paraty, faz parte de um conjunto de ideias que têm uma virtude decisiva para a conquista do Pritzker: a integração dos prédios com o ambiente.

Diz o comunicado da premiação: “O trabalho deles demonstra um compromisso inflexível com o lugar e sua narrativa e com a criação de espaços que discursam com seus respectivos contextos”.

Acontece o contrário com a casa dos Marinho (que os Marinho negam que seja deles). A casa até poderia ser bonita se não fosse uma aberração. Tem mais de 800 metros quadrados e destruiu um pedaço da Mata Atlântica e parte da praia para ser fincada ali.

A tal Paraty House não é do RCR, nem poderia ser. Foi desenhada pelo arquiteto paulista Márcio Kogan e enfiada na mata como um estorvo criminoso. A obra é ilegal. Mas vão mandar implodir a casa dos Marinho, como mandam desmanchar as casas de moradores miseráveis de morros e beira de rios?

A notícia do prêmio me levou a tudo a isso e a estas perguntas: teriam copiado o projeto de um trio ambientalista espanhol para reproduzi-lo no Brasil como uma agressão à natureza? E o que aconteceu com o processo contra a casa depois abandonada pelos Marinho em Paraty?

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