PAULO GUEDES FOGE DA RAMPA

Seria divertido ver Paulo Guedes na rampa do Palácio do Planalto, no grupo de 11 ministros (seriam 12 com ele), acenando para os golpistas que se aglomeraram ontem de novo por ali.

Guedes, o homem do mercado, o liberal, o cara que ainda não completou o serviço para os bancos, participando de um ato de fascistas que cantam musiquinhas para a cloroquina.

Guedes já deu declarações simpáticas ao AI-5, para fazer média com os filhos de Bolsonaro, mas nunca se expõe em atos como esse. Esse recato talvez explique por que não apareceu ontem ao lado do chefe.

O ministro teve um embate recente com os militares, que tentaram passar a perna no seu projeto de radicalização liberal e anunciaram o Pró-Brasil.

Guedes reagiu e mandaram Braga Netto se aquietar com seu plano de desenvolvimento acionado com recursos públicos.

Mas nem Guedes e nem Braga Netto, pai do Pró-Brasil, estavam na manifestação na rampa. E Braga Netto seria o grande gestor, a pilastra que ainda segura o que sobra de desgoverno.

Seria bom ver Paulo Guedes na rampa, meio desajeitado, quem sabe abraçado a Onyx Lorenzoni, com aqueles tênis que parecem meias, com sua máscara no queixo e a cara de quem não sabe se irá sobreviver.

Guedes é a face depressiva do governo, meio sem forças. Esperaram muito dele e ele não pode dar o que não tem. É o cara que, se descesse a rampa, talvez depois não conseguisse subir de volta.

Ontem, ele acha que escapou da foto. Mas sabe que não escapou.

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E AS PROVAS?
A Polícia Federal vai chamar o empresário Paulo Marinho para que conte o que sabe do vazamento de informações da Polícia Federal para Flávio Bolsonaro.

Marinho vai conseguir provar que Flávio ficou sabendo, em outubro de 2018, por um delegado da PF, que iriam investigar Queiroz e o esquema das rachadinhas em seu gabinete?

Ele disse à Folha que Flávio foi quem contou que seria cercado pela PF. E que no fim a investigação foi adiada, entre o primeiro e o segundo turno, para não prejudicar Bolsonaro.

Mas como vai conseguir provar que Flávio apareceu na sua casa apavorado porque iriam descobrir as mutretas da família?

Poderemos ter mais um caso para se somar à denúncia de Sergio Moro de que Bolsonaro interferia na Polícia Federal. Mas e as provas?

Hoje, o ministro Celso de Mello deve dizer se o vídeo da reunião do dia 22, em que Bolsonaro peita Moro, por não gostar do comando da PF no Rio e da direção geral da organização, deve ou não ser divulgado.

Como quase tudo o que consta no vídeo já foi vazado, o que resta agora é ver a filmagem para, quem sabe, pegar o tom da fala do
sujeito.

Sabe-se que Bolsonaro queria proteger os filhos, sabe-se que iria mudar, como mudou, a PF para tentar esvaziar as investigações. Mas como provar tudo isso?

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O RECORDE
Foram 816 mortes no sábado e 485 no domingo. A redução pode ser apenas da falha da contabilidade que se repete nos fins de semana.

O que significa que os mortos não contados no domingo irão aparecer nesta segunda-feira, e o Brasil pode passar a marca de mil mortes em um dia.

O bolsonarismo pedala até a contabilidade das mortes na peste e não acontece nada.

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OLGA
Falaram muito das mortes do Sergio Sant’Anna e do Aldir Blanc e pouco ou quase nada falaram da morte da Olga Savary, também pela Covid-19, na sexta-feira.

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As torcidas poderão fazer, no fim da pandemia, o que os estudantes ainda não fizeram para derrubar Bolsonaro?

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