PEGARAM LEVE COM BRAGA NETTO

Estão revirando as 1.178 páginas do relatório da CPI do Genocídio para localizar furos. Não tem como fazer um relatório que agrade a todos, mas algumas falhas são citadas com insistência.

Um dos problemas notados está no tratamento cordial que o relator Renan Calheiros dedicou ao ministro da Defesa, Braga Netto. Pede o indiciamento do general, mas ele é citado quase com pedidos de desculpa.

No dia 16 de outubro, publiquei um texto no Brasil 247 com essa indagação: a CPI vai amarelar e desistir do indiciamento de Braga Netto?

Não desistiu, mas o pedido é frouxo, segundo boa reportagem de Constança Rezende, Mateus Vargas e Renato Machado, publicada pela Folha.

O texto diz, a respeito de Braga Netto:

“Apesar do pedido de indiciamento, Braga Netto aparece apenas oito vezes no relatório de 1.065 páginas. Já o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), é mencionado mais de 80 vezes.

O senador afirma que o general tem responsabilidade por falhas na resposta do governo da pandemia, pois comandava o órgão responsável por articular as ações interministeriais, no período em que era chefe da Casa Civil.

Cita ainda que o militar estava presente na discussão sobre mudar a bula da hidroxicloroquina por decreto.

O relatório, porém, não menciona interferências diretas do militar na estratégia de combate do Ministério da Saúde na crise sanitária. Um destes gestos, como mostrou a Folha, foi determinar que as declarações sobre a pandemia deveriam ser feitas dentro do Palácio do Planalto e limitar a participação da Saúde.

Braga Netto nem sequer foi chamado a depor na CPI da Covid, por falta de acordo e receio de criar crise institucional com as Forças Armadas”.

Essa talvez tenha sido a maior falha da CPI, a de se acovardar e não convocar o general para depor.

Braga Netto foi, no começo da pandemia, como chefe da Casa Civil, o poderoso chefe do Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da Covid-19.

Tudo o que foi montado depois, na estrutura negacionista que difunde a cloroquina e sabota a vacina CoronaVac, porque era de João Doria, tem origem nas ações de Braga Netto.

A CPI pede o indiciamento do ministro como incurso no artigo 267 do Código Penal, pelo crime de indução à pandemia, com mortes, por ação ou omissão. A pena é de 20 e 30 anos de prisão.

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E A CLOROQUINA RESISTE
Um médico de uma pequena cidade do norte do Rio Grande do Sul me assegurou, por email, que colegas dele continuam receitando cloroquina para “tratamento precoce” da Covid.

Parece meio sem sentido, depois do relatório da CPI, mas vale lembrar que ainda não há nem deliberação, pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no SUS), sobre o relatório que não recomenda o “kit Covid” para pacientes com suspeita ou diagnóstico de Covid-19, em tratamento ambulatorial.

Nesta quinta, a Conitec deveria ter decidido se o relatório tem validade. Doze membros votaram, e o resultado foi 6 a 6, ou seja, a decisão foi adiada.

Isso quer dizer que, mesmo depois de a CPI desvendar a propagação criminosa de cloroquina, o governo insiste em continuar distribuindo o kit, com o aval do Conselho Federal de Medicina (CFM), que transfere a decisão de receitar ou não as drogas a cada médico.

Devem ser aplaudidas iniciativas raras de reação ao uso da cloroquina contra a Covid, como a do cardiologista Bruno Caramelli, professor da Faculdade de Medicina da USP.

Caramelli entrou sozinho no Ministério Público Federal de São Paulo com uma ação em que pede a abertura de inquérito “para apurar a responsabilidade civil, administrativa ou penal da diretoria do CFM” em relação à liberação da cloroquina e do kit Covid.

O médico classifica o posicionamento do conselho de “omisso e grave nas providências que lhe caberiam tomar contra a disseminação da falsa ideia de existência de tratamento precoce eficaz contra a covid-19”.

Mas quem mais se dispõe a imitar o cardiologista? Poucos. Outros 29 médicos decidiram se juntar à ação em São Paulo, segundo a advogada e juíza federal aposentada Cecília Mello, representante do grupo. Por que só 30 médicos? Porque os bravos sempre são poucos.

One thought on “PEGARAM LEVE COM BRAGA NETTO

  1. A partir de agora é esperar que a PGR abra INVESTIGAÇÕES sérias acerca da participação central do militar nas supostas (in)ações e desmandos durante a pandemia. Assim, para uma garantia de condenação, baseada, quem sabe, na convicção de uma apresentação em PowerPoint, não seria interessante chamar toda a turma da lava-jato de volta?

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