Por que optar por oficiala de Justiça
A partir de hoje, passo a adotar a forma ‘oficiala de Justiça’, toda vez que escrever a respeito da servidora pública que enfrentou a agressividade de Bolsonaro na UTI com brava serenidade.
A melhor explicação para isso está no site jusbrasil e foi dada pelo editor e professor de português Paulo Flávio Ledur. Abaixo, o texto na íntegra:
“A utilização, algumas vezes, por esta página, da expressão “oficiala de justiça” – quando se trata de servidora do sexo feminino – deixou uma dúvida na leitora Ana Paula Picolotto Vieira, estagiária de um escritório de Advocacia de Bento Gonçalves.
A palavra com a no final estaria correta? – questionou ela. O colunista sentiu-se instigado e foi ouvir o editor e professor de Língua Portuguesa Paulo Flávio Ledur. Eis sua opinião:
“Em que pese os dicionários, em regra, registrarem oficiala como feminino de oficial, é raro encontrarmos esse uso, o que, aliás, ocorre com as funções em que a participação da mulher é fato recente. No Exército e na Brigada Militar, por exemplo, adotaram-se denominações como capitão feminino Fulana, sargento feminino Sicrana, etc., em vez das formas diretas: capitã, sargenta, … Nas áreas em que a participação da mulher é mais antiga, tal não ocorre, estando consagradas as formas diretas: professora, advogada, médica, etc. Por mais paradoxal que seja, na verdade é o uso que faz a língua, razão por que se deve respeitá-lo. Apesar disso, sou defensor da passagem direta de todas essas funções para o feminino e entendo que isso é apenas uma questão de tempo. Aposto que no futuro todos dirão oficiala, coronela, capitã, sargenta, soldada e até mesmo caba como feminino de cabo, por mais estranha que essa forma hoje possa parecer. Entendo também que a mulher deve lutar por isso”.

A questão não é o machismo, também não é um problema sobre se a palavra existe ou não no léxico, se se usa ou não o termo. A questão é de eufonia, pura e simplesmente isso: a palavra agrada aos ouvidos? Se sim, os falantes a usam; se não, o uso não pega.
Oficiala é um termo horrível, enquanto presidenta e prefeita são mais palatáveis. É assim que funciona a coisa. Além do mais, termos terminados em “L” quase nunca recebem “a” no final para o feminino porque a maioria delas são palavras neutras.
Essa discussão é ridícula. É o mesmo que algum deputado do PL inventar que não gosta que seu filho pequeno seja chamado de criança e lute para impor uma lei para que seja dito “CRIANÇO”. Ou algum atleta do sexo masculino exija ser chamado de “atleto” por ele ser cristão e conservador.
Consegue perceber o quanto é ridículo o PSOL tentar impor a linguagem “neutre”?
As leis das línguas naturais são internas a elas, respeitam apenas o saber e a vontade dos falantes, não é algo que se imponha de fora e da noite para o dia.
Contudo, “capitão feminino” ainda São palavras masculinas. Que nó!!