POR QUE TER MEDO DOS BOLSONAROS?

Um comentário é recorrente quando um texto aborda algum gesto de enfrentamento dos Bolsonaros e dos que estão no seu entorno. Dizem, por exemplo, que o Supremo perdeu o medo e agora enfrenta Bolsonaro.

Como disseram hoje nos comentários sobre um vídeo em que um homem peita Carluxo num supermercado no Rio e pergunta: cadê o Queiroz, quem mandou matar Marielle?

O homem seria a prova de que as pessoas perderam o medo. Temiam os Bolsonaros e não temem mais. Temiam o quê? Os militares ao redor de Bolsonaro?

Os milicianos, os que aparelharam o Estado em nome da família? Temem perseguições e ameaças?

Têm medo do cumprimento da promessa de Bolsonaro de que matará os inimigos na ponta da praia, como faziam na ditadura?

Temem que as turbas invadam os hospitais, como um grupo fez hoje no Rio, incentivado por Bolsonaro?

As instituições terão de proteger o país das ameaças de Bolsonaro. Como Luiz Fux fez hoje, repetindo um gesto recente de Luis Roberto Barroso, ao apelar, em despacho, para que parem de ficar dizendo que as Forças Armadas são o poder moderador da democracia.

As Forças Armadas não são um poder. Vamos parar de brincar de ditadura, como disse Gilmar Mendes.

Não dá para aceitar como normal a ideia de que poderemos viver por anos com medo dos Bolsonaros, dos milicianos da família e dos que tomaram o Estado.

Vamos parar com essa história de ter medo de Bolsonaro. Os Bolsonaros é que devem temer o que os espera. Chega da impunidade dos fascistas.

Nós temos o direito de não viver com medo das facções comandadas pelos Bolsonaros. O dever do Ministério Público e do Judiciário é o de nos assegurar esse direito.

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Este texto foi escrito antes da divulgação da nota assinada por Bolsonaro, pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, e pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo, em que afirmam:

“As Forças Armadas do Brasil não cumprem ordens absurdas, como p. ex. a tomada de poder. Também não aceitam tentativas de tomada de poder por outro Poder da República, ao arrepio das leis, ou por conta de julgamentos políticos”.

Não posso mexer no texto em decorrência da nota, que é uma resposta ao ministro Luiz Fux, que não considera (em decisão liminar expedida hoje) as Forças Armadas um poder moderador.

Apenas como observação, se é que precisa, desejo apenas que se reafirme o que o Supremo tem decidido em defesa da democracia.

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(O link do vídeo do homem no supermercado está na área de comentários.)
https://youtu.be/Gb4uApeSl2c

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