Por todos eles e por todas elas

Por Maradona, por Juan Domingo Perón, por Hebe de Bonafini, pelas filhas de todas as Hebes, por seus netos, pelo Che, por Mercedes Sosa, pela ressurreição do peronismo, por Cristina Kirchner, por Alfonsina Storni, pelos cronópios de Cortázar, por Corrientes, por Francisco, pelos religiosos que resistiram, pelos velhinhos e pelas velhinhas que vão às ruas todas as quartas-feiras em Buenos Aires, pelas magias de Buenos Aires, por Evita, pelos mapuches, pelos negros que sobreviveram, pelos guaranis, pelo Caminito, por Piazzolla, por Mafalda, por Gardel, pelo Gauchito, por Índio Solari, pelo Boca, pelo River, por todos os clubes de futebol criados por operários, por nossas brigas, por nossos amores, pela lista infindável das nossas ilusões compartilhadas, por nosso ódio ao fascismo e por Messi.

2 thoughts on “Por todos eles e por todas elas

  1. Moisés, infelizmente, o legado das abuelas e madres da Plaza de Mayo e de todas as demais personas lembradas por você não serviu de inspiração para a Albiceleste na partida decisiva em busca do tetracampeonato.

    O ídolo Lionel Messi, que provavelmente fez sua despedida da seleção argentina, bem que merecia uma final de Copa do Mundo mais à altura de todo seu talento. A retranca de seu time contra a Fúria foi de uma covardia que me fez lembrar de dois assíduos comentaristas do blog e da pequenez do Brasil diante das ousadas incursões dos neovikings noruegueses naquele jogo que definiu quem seria quarto-finalista.

    O domínio incontestável dos campeões durante aqueles mais de 120 minutos de infindável agonia foi praticamente uma reedição de uma invasão da Armada Espanhola no território de um povo tomado de medo diante da chegada dos colonizadores.

    Como consolo a todos nós que queríamos ver a repetição da vitória da antiga colônia conquistada na raça contra a esquadra inglesa, resta a recuperação da imagem de Lamine Yamal, jogador da Espanha de origem marroquina, desfraldando a bandeira da Palestina no desfile de comemoração do título do Barcelona. Gesto isolado e solidário que lhe valeu o reconhecimento em um mural pintado por artistas sobreviventes do genocídio contra o povo palestino.

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