PORTO ALEGRE É UM NEGÓCIO

Porto Alegre está imunda, feia, a cidade cai aos pedaços, mas o gestor copia seus antecessores recentes e tenta reproduzir o mesmo truque salvador: ceder mais pedaços do que chamam de orla para as empresas.
Tudo é negócio na orla. Como diz Katia Suman, há um cansaço com essa palavra. Por que não a beira do rio? Por que orla? Porque orla é mais chique, imita o Rio, consagra a definição do agrado dos empresários.
Imaginem o morador de Gravataí saindo com a família no fim de semana: vamos para a orla.
Agora o espaço da orla a ser ocupado é o Parque Mauricio Sirotsky Sobrinho. Vão encher a orla de lojas, restaurantes e outros atrativos para a classe média. Os pobres ficam com a rebarba.
Porto Alegre só existe para a direita na perspectiva de que é uma cidade a ser negociada. O espaço público é algo a ser compartilhado se oferecer renda a alguma empresa. O que não é rentável é abandonado.
Vilas, ruas e praças foram largadas. Escolas estão sendo fechadas. A saúde, gerida pelo município, é precária. E a única coisa que o gestor planeja é a possibilidade de negócio.
Com negócios e mais negócios, o gestor da capital é uma espécie de gerentão dos interesses das empresas na prefeitura, assim como faz o gestor estadual. A orla, com seu potencial empresarial, é o que pode salvar qualquer gestão de direita.
Eles só olham para a classe média bacana. É a versão gaúcha, meio encabulada, meio enviesada, do bolsonarismo que entrega tudo que é do patrimônio público. E o povo? O povo não quer saber de mais nada.
O povo está entregue. E, por mais absurdo que pareça, o gestor já está em campanha.

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