PRECISAMOS FALAR DA CASA DA MORTE

Deve ser lida sem pressa, como lição de História, a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra três agentes da ditadura acusados do sequestro, da tortura e do desaparecimento do advogado Paulo de Tarso Celestino da Silva, em 1971.

Silva foi levado pelos torturadores para o prédio que ficou conhecido como a Casa da Morte, em Petrópolis, no Rio. Poucos dos que entraram ali saíram vivos.

Era um dos lugares macabros para onde a repressão levava os militantes de organizações que lutavam contra a ditadura ou apenas suspeitos de participar de alguma atividade considerada clandestina.

Os procuradores denunciaram como responsáveis pelos crimes os agentes Rubens Gomes Carneiro (Laecato ou Boamorte), Ubirajara Ribeiro de Souza (Zé Gomes ou Zezão) e Antonio Waneir Pinheiro Lima (Camarão). Todos trabalhavam para o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna do I Exército (DOI-CODI).

Todos estão por aí, livres e impunes. Outros cúmplices já morreram ou não foram ainda identificados. O Ministério Público destaca que os crimes cometidos por eles devem ser julgados, porque não se aplicam nesses casos a Lei da Anistia de 1979 ou as regras de prescrição.

Tudo o quer aconteceu contra Paulo de Tarso Celestino da Silva configura crime contra a humanidade, conforme sentenças já prolatadas pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. Mas a Justiça do Brasil sempre escamoteou essa realidade.

É um bom momento para a abordagem formal, com denúncia na Justiça, dos crimes da ditadura. Porque a tentativa feita nos últimos anos é a de acobertar a matança patrocinada pelos militares, que agiam sob as ordens de generais.

O Brasil foi covarde, ao contrário de Argentina e Chile, no enfrentamento dos crimes cometidos pelos ditadores dos anos 60 a 80 e seus subordinados militares e civis, apesar dos esforços de muitas iniciativas de exceção, como a da Comissão da Verdade.

Das 475 vítimas da ditadura, que foram identificados como assassinados ou nunca mais foram vistos, 140 são considerados desaparecidos. Silva é um deles.

Que não seja mais um caso engavetado. E que se reconheça o trabalho dos procuradores da República Vanessa Seguezzi, Antonio Cabral e Sérgio Suiama, autores da denúncia, para que um dos tantos crimes da ditadura não fique impune.

Sempre lembrando que os três denunciados agora eram subalternos sem estrelas. Os quadros do DOI-CODI tinham gente do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, mas também empregavam policiais civis e militares e soldados dos corpos de bombeiros.

Seus chefes, oficiais das Forças Armadas, nunca foram e talvez nunca venham a ser alcançados pela Justiça, até porque a maioria morreu.

Era um tempo em que as Forças Armadas se sentiam no direito de agir como “poder moderador”, como ainda pretendem ainda hoje. Em nome desse pretenso poder, perseguiam, sequestravam, torturavam e matavam.

(Abaixo, no link, a denúncia apresentada, com detalhes de cada um dos denunciados. É um arquivo do Ministério Público que será aberto em PDF).

file:///C:/Users/Admin/Downloads/2012-42%20.PDF

One thought on “PRECISAMOS FALAR DA CASA DA MORTE

  1. Portal Luis Nassif

    SI VIS PACEM, PARA BELLUM! – SE QUERES A PAZ, PREPARA-TE PARA A GUERRA !
    por DR AMILCAR XIMENES

    10 Nov, 2014

    Amilcar Ximenes‎ 7 de novembro de 2012 · A DENUCIA FEITA HOJE DIA 7/11/2012 CAPTANEADA PELO DEP FEDERAL DO PPS, ROBERTO FREIRE, À PGR, COM PRETENÇÃO DE CRMINALIZAR O PRES. LULA, TORNA ESSE ASSUNTO ATUALISSIMO. Texto de Dr. Amílcar Ximenes –ESCRITO E PUBLICADO EM 15/09/2012 “Si vis pacem, para bellum” – Se queres a paz, prepara-te para a guerra! Encontra-se em andamento um golpe institucional no Brasil, a semelhança dos promovidos em Honduras e Paraguai, para atender aos interesses das transnacionais e geopolíticos e energéticos (pré-sal) do Império Ianque. E o STF, consciente ou não, está contribuindo para esse fim de quebra da institucionalidade, à medida que, como guardião da constitucionalidade, deveria assegurar a paridade de armas e a isonomia no processo eleitoral, já que o calendário eleitoral é inadiável, e não se converter num palco de tribunal inquisitorial, que revoga a tradição jurídica do direito positivo brasileiro, com inversão do ônus da prova em processo criminal, cabendo ao acusado provar que não é culpado, muito semelhante aos tribunais medievais da “santa inquisição”. Mas o consórcio golpista midiático-inquisitorial, é o cavalo de tróia, das novas modalidades de golpe promovidos por corporações transnacionais, que funcionam como tropas avançadas do império USA, como a Monsanto, da soja transgênica, que em consórcio com o narcotráfico promoveu o Golpe do Paraguay. É a nova forma de golpe promovida pelo império ianque, que não descura da intervenção militar, propriamente dita, considerando a base militar com 650 marines , instalada no Paraguay(que tinha a oposição do Presidente Lugo) os vários aeroportos de porte militar nas fronteiras do Brasil e a base militar nas Malvinas, aliada a IV Frota do USA, que se mudou para o atlântico sul. O MPF negligenciou o “mensalão do PSDB do Azeredo de 1998, do mensalão do D.E.M. do DF, do mensalão de furnas do PSDB, do processo do Cachoeira, engavetado 3,5 anos, e não julga os crimes da “Privataria Tucana” ,o maior assalto aos cofres públicos desde o império (200 bilhões de dólares), que em outros lugares só se consegue como espólio de guerra. Promove a satanização do PT, 24 hs por dia multiplicado pela enezima potência pela repercussão do P.I.G.(Partido da Imprensa Golpista), a soldo do império/Usaid/Cia, como denunciou o site wikileaks recentemente. Agregue-se a recente prática do estelionato panfletário, pseudo-jornalístico do folhetim de extrema direita “veja”, ligada visceralmente a contravenção do Cachoeira. Esse processo é o plano Cohen hodierno. Os patriotas e democratas e os que defendem a constitucionalidade devem estar alerta por todos os meios. Esse processo é similar a propaganda do I.B.A.D (Instituto Brasileiro de Ação Democrática- que também foi financiado pela Cia) no pré golpe de 64, para evitar aminésia histórica. Não sejamos mais uma vez imprevidentes. Os golpe militar de 64, e os golpes institucionais de Honduras e Paraguay e a tentativa de golpe no Equador, são exemplo pedagógicos. Si vis pacem, para bellum! Se queres a paz, prepara-te para a guerra!!! Vamos nos preparar para resistir ao golpe, por todos os meios e armas!

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