QUE SAUDADE DA CONCEIÇÃO

Foi bom e também foi triste ver Maria da Conceição Tavares na TV com seu vozeirão cívico. Bom por rever Conceição, e triste porque Conceição fala há décadas de coisas que não viu acontecerem.

Como um programa de renda mínima. Durante todo esse tempo, Conceição lamentou que o Brasil nunca tenha levado adiante a proposta de Eduardo Suplicy.

Pois isso é o mais triste. O programa de renda mínima que as esquerdas carregaram como utopia e que o PT achou que não precisava implantar vai ser viabilizado do jeito que der por Bolsonaro.

É doloroso. O sujeito que nunca manifestou preocupação com os pobres e que foi eleito pelos ricos descobriu na pandemia a força eleitoral da pobreza.

Vi ontem à noite Conceição falar da renda mínima no documentário Livre Pensar, de José Mariani, no canal Curta.

Ali estão as muitas Conceições, a jovem portuguesa que chega aos Brasil com 24 anos, a professora de economia, a exilada, a pensadora impositiva, a gritona, a emotiva que chorou no Cruzado, a deputada petista que achavam que era esquerdista (e ela se declara uma reformista) e a militante que imaginou o Brasil como uma grande democracia multirracial.

Eis o que ela diz da renda mínima: “Suplicy foi ridicularizado, espezinhado por muitos, chamado de um político de uma nota só. Não era, mas ainda que fosse seria uma nota que daria novo tom à mais trágica de nossas sinfonias nacionais: a miséria e a desigualdade”.

A renda mínima de Bolsonaro pode ser um arremedo, mas será o que a extrema direita deseja que pareça que seja. Bolsonaro será o pai da implantação da renda mínima.

Dá saudade da veemência de Conceição, como quando ela diz, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, que será militante da democracia até morrer.

Conceição fuma no documentário. Talvez seja a única pessoa que pode aparecer pitando hoje na TV. Conceição pode tudo.

O filme é de 2018, quando a economista completou 88 anos, mas parece ter sido feito ontem.

O que falta hoje é o dedo de Conceição na cara dos canalhas.

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Aroeira no jornalistaspelademocracia.com

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O humor de Ani

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COM K
Tudo tem coerência. No Brasil de Bolsonaro, agora o Supremo tem um ministro que se chama Kassio, com K. Como Keirrison, Kerlon, Kingueston, Kleberson…

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