QUEM PLANEJOU A INVASÃO DO SUPREMO?

Como o Supremo pode reagir à invasão por Bolsonaro, seus ministros e um grupo de empresários? O STF deve ser tão cordial quanto o seu presidente ao ser surpreendido pela invasão?

Dias Toffoli poderia ter sido mais assertivo, na resposta à estranha visita. Mas foi republicano com quem destratou a mais alta Corte do país.

O Supremo pode tentar saber, para melhor se posicionar, quem teve a ideia de atravessar a Praça dos Três Poderes para fazer um acinte ao poder mais ameaçado pelo fascismo.

Teria sido o próprio Bolsonaro quem decidiu, no entusiasmo diante de 15 empresários, que deveriam fazer a visita sem aviso a Dias Toffoli? Quem avalizou a ideia? Quem disse que não deveriam ir?

É difícil que a marcha das pressão tenha sido decidida ali, na hora, em uma reunião planejada.

Bolsonaro é um ogro, e os militares que sustentam seu governo sabem disso. Mas hoje ele superou todas as grosserias cometidas até agora e, em nome do grande ato em direção à sua torcida, jogou o Supremo contra os golpistas.

Bolsonaro disse aos seus: o Supremo foi advertido de que a economia está quebrada e de que as pessoas devem voltar de qualquer jeito ao trabalho em meio ao pico da pandemia e com mais de 8 mil mortes.

Bolsonaro gritou à extrema direita: se o Supremo não agir pelo fim do isolamento social, o Judiciário, os governadores e os prefeitos serão culpados pelo caos social.

Bolsonaro tentou conseguir um álibi para o que pode acontecer mais adiante.

Paulo Guedes disse que o encontro foi uma cortesia. Não foi. O grupo invadiu o Supremo e sentou-se à mesa, como se tivesse aplicado um golpe.

Bolsonaro do lado esquerdo de Toffoli, o ministro Braga Netto ao lado direito do presidente do Supremo, e Paulo Guedes ao lado de Bolsonaro.

Toffoli ficou ao centro, entre Bolsonaro e Braga Netto, como se estivesse sendo tutelado.

A imagem era da tomada do Judiciário pelo governo, e Braga Netto estava ali para deixar claro que a visita era impositiva. Sem o jipe, sem o cabo e sem o soldado, mas com um general e uma tropa de empresários mal-educados.

A marcha de Bolsonaro ao Supremo deveria ser evitada por uma voz de comando, talvez de um general sensato. Alguém deveria ter dito: isso não será uma visita, será uma agressão. Não vamos.

Mas foram. O contrário, de uma visita que viesse do outro lado da praça em direção Planalto, em grupo e de surpresa, não seria aceito republicanamente por Bolsonaro e pelos generais.

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