QUEM VAI SE ACOVARDAR DIANTE DE BOLSONARO?

Os moradores de cada Estado sabem se o seu governador vai reagir à fala de ontem à noite de Bolsonaro ou se vai se acovardar. Não são poucos os que ficarão encaramujados.

Poderão até lamentar burocraticamente a afronta que sofreram. Mas continuarão como subalternos do bolsonarismo.

Bolsonaro pode ter feito ontem o teste definitivo da sua capacidade de dobrar os governadores. É provável que poucos façam publicamente, para que todos ouçam, o que fez Wilson Witzel.

O governador do Rio avisou, logo depois da fala de Bolsonaro, que sua determinação continuava a mesma: as pessoas não devem sair de casa, e não só os idosos.

Outros dirão hoje que Bolsonaro desrespeitou a autonomia dos Estados, produzirão frases circulares (como já fez o governador gaúcho. Mas terão coragem para enfrentar em bloco o homem que desafiou suas orientações contra a pandemia e anunciar sem volteios que manterão suas decisões?

Bolsonaro disse à população: forcem os governadores a revogarem a clausura que fecha fábricas e escolas, porque o resultado disso será o desemprego, o caos e a “terra arrasada”.

A partir de hoje, será possível testar a reação das pessoas à ordem de insubordinação. Os governadores atemorizados temem ficar diante de uma realidade incômoda.

É possível que as próximas pesquisas indiquem que o discurso de Bolsonaro o fortaleceu num segmento em que sua base social era precária.

É provável que os pobres, atemorizados com o risco do desemprego – e manipulados há muito tempo – vejam Bolsonaro como o salvador, mesmo que o próprio Bolsonaro determine o corte dos seus salários.

Se as pesquisas indicarem que Bolsonaro ficou forte nas camadas de baixa renda (tendência que já vinha sendo mostrada pelo DataFolha), os governadores serão pressionados pelos empresários que forçaram a radicalização do discurso negacionista do seu líder.

Esse também deve ser o temor do Supremo, que validou a autonomia de Estados e municípios para adotarem medidas de contenção da pandemia, com o poder de fixar restrições ao funcionamento do comércio e ao convívio social.

O STF vai enfrentar Bolsonaro, ou esperar para conferir o tamanho da popularidade do homem depois da fala criminosa em que desafiou não só os governadores, mas principalmente os cientistas dedicados ao combate de uma peste mundial?

O Supremo precisa defender suas deliberações, que protegem os governadores dos ataques de Bolsonaro. O STF não precisa necessariamente reafirmar que defende os governadores, mas a própria autoridade.

E o Congresso? O Congresso pode roncar grosso pela manhã e participar de um baile de máscaras com Bolsonaro à tarde.

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