SANTINI, OS ARGENTINOS E AS CAIXAS PRETAS

O ex-secretário de Onyx Lorenzoni que resistiu a deixar o governo deve saber de coisas que os Bolsonaros sabem que ele sabe. Os filhos tentaram proteger José Vicente Santini porque não seria bom mexer no arquivo de informações do amigo pelos serviços prestados à família.

Na Argentina, subalternos da direita também não se desapegam do poder. Ajudantes do macrismo, absorvidos pela estrutura estatal em cargos de confiança, se negam a deixar as funções que ocuparam a mando da direita.

O jornal Página 12 deu em manchete: “Gerentes e diretores macristas de empresas estatais não querem ir embora”.
É gente do segundo escalão e de funções intermediárias, que agora reclama estabilidade por conta de decretos assinados pelo governo de Macri.

Alberto Fernández venceu as eleições, mas não consegue se livrar da estrutura orgânica do macrismo que se apropriou do Estado.

Muitos continuam com os casacos nas cadeiras na Aerolíneas Argentinas, Pami (uma espécie de SUS-INSS argentino para aposentados e pensionistas), Anses (o órgão de previdência) e a empresa Trens Argentinos Infraestrutura Adifse, entre outros órgãos.

A maioria reclama que, se for mandada embora, terá de ser indenizada. Alguns exigem manutenção no emprego. Na Aerolíneas, de 30 gerentes que deveriam ser demitidos, cinco submeteram o governo a um acordo forçado (para que a reclamação não se prolongasse) e 25 continuam reclamando ‘direitos’, alguns deles ainda trabalhando.

São os zumbis do macrismo. Há reclamatórias com valores equivalentes a mais de R$ 10 milhões.

O liberalismo se apropria do Estado que diz detestar, como Bolsonaro faz aqui com o emprego de amigos dos filhos e de 2.500 oficiais em cargos de alto escalão. É mais do que o patrimonialismo da nova direita, é o compadrio sem escrúpulos da extrema direita.

Aqui, José Vicente Santini foi demitido e renomeado, em apenas um dia, e demitido de novo 12 horas após a segunda nomeação, porque a manobra para protegê-lo foi grosseira.
A soberba dos filhos de Bolsonaro os induziu ao erro de manter o amigo na mesma Casa Civil, sempre sob as ordens de Onyx Lorenzoni.

Na Argentina, alguns dos ajudantes de Macri que não querem ir embora são vistos como donos de caixas pretas. Eles se negam, por apego, mesmo que virtual, a se afastar do que produziram.

Temos o direito de saber se, no caso da tentativa de proteção a Santini, não há algo parecido envolvendo o que ele fez ou sabe que alguém fez dentro do governo.

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