SOU UM SEM-BITCOINS

ais um ano se vai e eu não investi em bitcoins. Leio tudo que aparece sobre bitcoins. Li esses dias que as estruturas para processamento de dados de moedas virtuais da Islândia consomem mais energia do que todas as casas dos 340 mil habitantes.

Sei que brasileiros envolvidos com a tal mineração de bitcoins atravessaram a fronteira e se instalaram no Paraguai atrás de energia mais barata.

É um dos paradoxos do mundo virtual. A moeda não existe, mas consome energia, porque é preciso fazer as máquinas operarem a todo vapor e assegurar a refrigeração dos equipamentos, ou tudo explode.

Na Europa, já há países alarmados com a possibilidade de os exploradores de bitcoins consumirem com seus computadores toda a energia de um país.

Um dos maiores exploradores de bitcoins no Paraguai, um brasileiro, é claro, ocupa com seus equipamentos os três andares de um prédio e tem um puxadinho, com outra máquinas, em sete contêineres num terreno ao lado.

No fim, se os bitcoins tomarem conta do mundo da especulação financeira, não haverá espaço para mais nada. O mundo será uma rede gigantesca de máquinas a serviço dos bitcoins. E toda a energia será destinada à especulação.

As máquinas passam o tempo todo fazendo cálculos matemáticos. Bitcoins são como prêmios para quem consegue resolver problemas complexos programados numa rede chamada blockchain.

Já sei que alguns cálculos exigem que se encontre a combinação certa numa sequência de 45 algarismos. Nessa sequência, há letras, números e símbolos. Como essa, que é apenas uma amostra com poucos dados: 81*&34%$+56#[email protected]&&666.

Como os bitcoins oferecidos na rede são finitos, há um número x a ser prospectado. Só pode competir quem tem máquinas potentes. Por isso não dá pra levar a sério os que aparecem dizendo que operam com bitcoins e que estão nas notícias como pilantras, muitos dos quais são gaúchos. Eles não têm processadores, são vendedores das velhas pirâmides.

Antônio Silva, 52, dono da MDX, tem 12 mil máquinas em quatro áreas de Ciudad del Este, segundo a Folha. “Fala-se em moeda digital e as pessoas não entendem que há uma estrutura física por trás. Acham que é só um programa de computador”, diz ele.

Há empresas na China com mais de 30 mil computadores catando bitcoins. O fim do mundo poderá estar próximo com essa realidade maluca, em que um dinheiro virtual ameaça a destruir coisas reais.

Vale para tudo que for virtual e que só funciona porque existem máquinas e energia na base das suas estruturas, como as redes sociais. Os bolsonaristas e Olavo de Carvalho podem acabar com a Terra.

Eu recebo todos os dias por telefone ofertas de terrenos, casas e até jazigos perpétuos, mas nunca recebi uma oferta de bitcoins.

Ninguém me ligou até hoje dizendo: temos aqui bitcoins por bons preços para investidores com o seu perfil (que é a conversa de sempre de quem acha que temos dinheiro). Sou um sem-bitcoins.

Pensei que em 2020 finalmente eu seria dono de um bitcoin. Mas um bitcoin, só um, custa R$ 30 mil. Vou comprar um quilo de nióbio, ou quem sabe um boi.

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