As mulheres e as entranhas do bolsonarismo

São valentes os machos que atacaram Dilma em matilha dentro do avião. Os machos do bolsonarismo se unem para atacar mulheres, negros, pessoas com deficiência, índios e idosos.

O bolsonarismo é um ajuntamento de homens que temem as mulheres. No mundo instável do bolsonarista inseguro, a mulher é sempre a maior ameaça.

Ex-aliadas devem contar o que sabem desse mundo. Joice Hasselmann precisa ir além do que revelou sobre a conversa em que Bolsonaro referiu-se a uma deputada aliada como prostituta.

Denúncias sobre envolvimento com milícias, brigas pela dinheirama do partido, laranjas e tantas outras denúncias que ninguém investiga são repetitivas.

O bolsonarismo pode ser abalado por revelações das mulheres
que conviveram com algumas das facções, dentro ou fora do governo.

As mulheres devem falar, como algumas já falaram sobre como os homens do PSL usavam suas amigas para dividir a grana do fundo partidário entre os machos. Mas ainda é pouco.

Precisamos saber mais desse mundo que se manifesta em toda parte, inclusive dentro de aviões, onde o macho bolsonarista de gravata se sente mais seguro.

Os machos bolsonaristas, cúmplices da pregação que levou ao assassinato de Marielle e à matança de mulheres, precisam ser desmascarados pelas próprias dissidentes do bolsonarismo.

E está na hora de ver as mulheres brasileiras fazerem o que as mulheres chilenas fazem quase todos os dias, indo para as ruas para atacar não só o pinochetismo de Piñera, mas também o fascismo cotidiano.

Uma Dilma sozinha pode reagir, como reagiu com bravura, mas até quando? O Brasil ficaria bonito com milhões de Dilmas, Marias do Rosário, Djamilas, Manuelas, Marielles e Beneditas nas ruas.

VÍDEO: “Ótimo é o Bolsonaro, que defende milícia”, diz Dilma a bolsonaristas que a hostilizam em avião

O pó no colo de Bolsonaro

O escândalo do traficante que pegou carona na viagem de Bolsonaro é mais do que um caso policial. Este é meu artigo quinzenal no Extra Classe.

https://www.extraclasse.org.br/opiniao/2019/06/o-po-no-colo-de-bolsonaro/?fbclid=IwAR0Dksp3hGZDJIsrL-45wuw2KzQdc_N7w2Wc78eKkBKo7g_Hg3nCrKmlbEQ

AS PROVAS ELIMINADAS

A Folha entrega os pontos hoje ao admitir que não há como comprovar a autenticidade dos diálogos vazados da Lava-Jato, no escândalo Moro-Dallagnol denunciado pelo Intercept.
E só não há como comprovar porque Moro, Dallagnol e outros procuradores se desfizeram do aplicativo de mensagens Telegram.
Dallagnol e seus subordinados na força-tarefa admitiram solenemente que se livraram do Telegram em abril.
Ao descartar o uso do aplicativo, o usuário corre o risco de perder todas as mensagens armazenadas. É o que já disse várias vezes o próprio Telegram.
Moro, Dallagnol e os procuradores correram esse risco. Desfizeram-se do Telegram sob o argumento de que estavam sendo hackeados.
A eliminação das mensagens torna impossível cotejar os textos vazados com os arquivos originais. Se fosse numa investigação normal, uma sindicância poderia determinar se houve crime de ocultação ou eliminação de provas.
Mas não estamos tratando de um caso normal. Nada mais é normal no Brasil desde o golpe de agosto de 2016. Nada pode ser normal quando o vazamento de conversas revela que um juiz orientava um procurador, como se o acusador fosse seu subordinado.
Nada mais é normal num Judiciário em que magistrados consideram normal as ordens do juiz que orientava o procurador, porque dizem que todos eles fazem isso na maior normalidade.
Nada pode ser normal num país em que um avião da comitiva presidencial é usado por traficante de cocaína.

O choro dos vaiadores

A vaia é uma instituição mundial do desprovido contra o provido de muita coisa, que pode ser poder, fama, talento, dinheiro, vaidade ou tudo junto. Vaiavam até Pelé. Vaiaram Lula, muito vaiaram Dilma.
Jesus Cristo foi vaiado. O brasileiro chegava a vaiar até minuto de silêncio em estádio de futebol, segundo Nelson Rodrigues.
Vaiavam Pavarotti, vaiaram o Balé Bolshoi. Instituições e figuras públicas estão expostas aos humores do mundo. Pode ser desrespeitoso? Às vezes, pode. Pode ser inadequado? Impróprio?
Os grandes absorvem a vaia com naturalidade, desde que sem agressões, como as já dirigidas com palavrões a Lula e Dilma.
Pelo que se viu até agora da tal vaia no avião de Miriam Leitão, a manifestação pode ter sido provocada pela presença dela. Mas não se vê em nenhum vídeo referência ao nome da jornalista.
A vaia foi claramente contra a Globo. E sendo contra a Globo, a comentarista acha que é contra ela?
Jornalistas são grandes vaiadores, em microfones e em jornais. Alguns se dedicam à vaia diariamente, desde que o vaiado seja da esquerda. Jornalistas têm um poder para vaiar que nenhum vaiador de avião tem.
Querer que o Brasil tensionado só ouça as vaias produzidas com agressividade e palavrões pela direita é pedir demais.