A VOLTA DO CARLUXO

Por que Bolsonaro diz que jornalista é raça em extinção? Porque sabe que a Folha e a Globo não vão conseguir derrubá-lo.
Bolsonaro não está se referindo aos sites chamados de alternativos, mas aos seus grandes inimigos passionais.
Até hoje nem Folha nem Globo mexeram com uma das mais graves denúncias sobre desmandos do governo, que é a estrutura criminosa de produção de fake news e difamação dentro do palácio.
Joice Hasselmann foi apenas uma das denunciadoras, oferecendo muitas pistas sobre a participação de funcionários e de Carluxo no esquema.
Os jornais não mobilizaram um repórter, um só, para investigar a usina de fake news, que já foi abordada várias vezes também por Alexandre Frota. Os dois sabem do que falam.
Por isso Bolsonaro tem certeza de que jornalista da grande imprensa é bicho ameaçado de extinção.
Escrevo esse texto porque uma notícia na capa da Folha anuncia a volta do Carluxo à ativa nas redes sociais, depois de um mês e meio brigado com o pai.
Carluxo é o estrategista pavão misterioso de Bolsonaro, que diz o que o pai não pode dizer. A extrema direita da máquina virtual de produção de besteiras de Brasília está em festa com o retorno de Carluxo.

BOLSONARO E OS FILHOS VIVEM COM MEDO

Bolsonaro e os três filhos formam a família mais poderosa e mais atormentada do Brasil. A mais acossada desde o Império. Bolsonaro simula que manda em quem quiser mandar, mas desconfia do porteiro do condomínio e teme os arquivos do major Olímpio, do delegado Waldir, de Bebianno e de Joice Hasselmann.

Os filhos de Bolsonaro desconfiam de todos que dizem confiar neles. Não há filhos mais assombrados por sombras e medos do que os três filhos de Bolsonaro.

Eles temem traições entre os milicianos. Desconfiam do Queiroz, dos parentes do Queiroz, dos laranjas insatisfeitos com a partilha das rachadinhas, dos robôs das fake news.

Os Bolsonaros desconfiam do vice Hamilton Mourão. Não podem confiar em Rodrigo Maia. Bolsonaro abandonou o próprio partido por desconfiar dos gestores do cofre. E desconfia de Witzel.

Tudo do entorno dos Bolsonaros gera desconfiança. Bolsonaro sempre soube que os grandes empresários não confiam nele, muito menos os banqueiros. Os investidores estrangeiros sabem que ele não sabe de nada.

A família Bolsonaro não dorme em paz, como as famiglias da Sicília. Os Bolsonaros não sabem mais quem são seus inimigos, porque não sabem há muito tempo quem são seus amigos.

Desde aquela noite em que Bolsonaro comemorou a vitória gritando que eliminaria os marginais vermelhos na ponta da praia, a maldição abateu-se sobre o pai e os filhos.

Não são mais os velhos adversários que os Bolsonaros precisam abater. Desde aquele momento, desde a comemoração com o alerta aos inimigos, que os amigos dos Bolsonaros são suas verdadeiras ameaças.

Os Bolsonaros nunca temeram tanto os inimigos que o pai ameaçou matar quanto temem os ex-amigos. Temem os acordos não cumpridos com os coronéis do Congresso e os parceiros do Judiciário.

Temem a memória e a alma de Marielle Franco e os rastros deixados pelos seus assassinos. Temem a presença de Sergio Moro, mesmo que o ex-juiz e Bolsonaro precisem sobreviver abraçados, até o dia em que um deles será obrigado a dar o bote. Pela frente mesmo, porque já é um bote esperado.

Bolsonaro não tem tempo para governar, porque é ocupado pela tensão permanente e pelo medo de ser traído. Bolsonaro não confia em Trump, nem em Paulo Guedes, porque Guedes fala como candidato e quer ocupar o lugar do chefe no coração do empresariado e dos golpistas.

O governo já demitiu seis generais, porque Bolsonaro não acredita na fidelidade deles. Ele, os filhos e seus subalternos fiéis tentam cuidar de cada movimento dos 2.500 oficiais empregados no governo.

Os Bolsonaros não confiam nos bispos neopentecostais e não podem confiar em ninguém da direita, dentro ou fora dos templos, porque a direita abandona seus perdedores, como abandonou Collor, Aécio, Serra, Eduardo Cunha.

Os Bolsonaros só confiam em Olavo de Carvalho, mas esse não tem poder real, não tem quartéis e nem votos. Olavo de Carvalho é o rasputin dos Bolsonaros, só tem a poção da Terra plana.

Mas os Bolsonaros ainda não estão diante de todos os seus medos. Um dia, daqui a pouco, eles poderão temer os próprios Bolsonaros, quando uns terão medo dos outros, e aí talvez já nem estejam mais no poder.

Carluxo em férias

Parte da esquerda está confusa com a ausência de Carluxo das redes sociais esta semana. Porque essa esquerda acha que a guerra da comunicação é contra o Carluxo no Twitter e no Whatsapp.
Se vencerem Carluxo e seus robôs, estará tudo dominado.
Mas Carluxo saiu de férias e nesse momento deve estar brincando de boto na praia da Galheta, em Floripa.
Tem gente que, sem o Carluxo, não tem com quem brigar. Mas Carluxo precisa descansar.

HUCK E CARLUXO

Luciano Huck já tem algo em comum com os Bolsonaros. No domingo, o candidato da Globo elogiou no Twitter o golpe na Bolívia e logo depois, diante das reações, apagou a postagem. Acovardou-se.
Os Bolsonaros também costumam emitir opiniões valentes, desmentir o que disseram ou apagar o que escreveram.
A notícia de hoje é esta: Carluxo eliminou todas as suas contas nas redes sociais, para não deixar rastros.
Deve estar se preparando para o momento em que será confrontado com suas mentiras, na CPI das Fake News.
Carluxo é o porta-voz do pai. Está licenciado da Câmara de Vereadores do Rio (onde ninguém sabe dizer o que ele faz) e só atua como guerrilheiro nas redes.
A extrema direita não entendeu até agora o silêncio de Carluxo com a libertação de Lula. Há um vácuo de opinião sem a manifestação do gênio da família.

O PAI E OS FILHOS

O filho mais velho foi empurrado para a gestão das relações do pai com as milícias e acabou sendo denunciado como líder de uma quadrilha de laranjas.
Outro filho foi iludido a achar que poderia ser embaixador e, como não teria chance de aprovação no Senado, é hoje, por ordem do pai, o líder do PSL, mas não lidera ninguém na Câmara, nem os inimigos do delegado Waldir.
O terceiro filho assumiu a função de laranja dos ódios, das agressões e das mentiras do pai nas redes sociais e fica exposto todos os dias aos que debocham das suas bobagens no Twitter.
Todos os filhos de Bolsonaro se submetem aos desejos e às loucuras do pai.
Bolsonaro parece favorecer, mas na verdade explora e maltrata os filhos, que também serão comidos pela direita que comeu Aécio, Cunha e o jaburu.
Todos, o pai e os filhos, serão comidos pela direita.

Os bichos de Bolsonaro

O macho bolsonarista é valente. Eduardo ganhou o reforço do irmão Carluxo para que ataquem juntos a ex-aliada Joice Hasselmann.
Carluxo agora chama a deputada de porca. Ela devolve e chama o filho malvado de Bolsonaro de viado.
São figuras públicas, eleitas, idolatradas pela direita, e não só pela direita extremada.
A briga pelo dinheiro do PSL chegou ao reino animal do bolsonarismo.