SERGIO MORO E O HOMEM-MOSCA

Sergio Moro pode estar mesmo pensando: se encarcerou Lula, por que não poderia mandar prender Glenn Greenwald, o diretor do Intercept? O ex-juiz tem um porta-voz para tentar criar confusão com a prisão dos hackers e disseminar a ameaça de prisão do jornalista.

A tática, desde antes da identificação dos estelionatários, é manobrar para conectar os manos de Araraquara ao vazamento de suas conversas escabrosas com Deltan Dallagnol.

Moro usa o site O Antagonista, porta-voz do golpe, da Lava-Jato e de Bolsonaro, para antecipar cada ação da sua polícia. O ex-juiz ou seus prepostos mandam o site de Diogo Mainardi atemorizar Greenwald e avisar sobre o que estaria sendo feito.

Foi o site de Mainardi, o homem-mosca, que informou que o Coaf estaria investigando as movimentações financeiras do jornalista (que o Coaf não confirma, talvez porque sejam clandestinas).

Foi o mesmo site que informou sobre investigações que envolveriam o deputado David Miranda. O Antagonista persegue Miranda porque é de esquerda, é gay e é casado com Greenwald.

O site avisa agora que podem prender Greenwald a qualquer momento. Mainardi sabe tudo da Lava-Jato e faz o trabalho sujo que a Globo não se arrisca a fazer, inclusive mentindo.

O homem-mosca é funcionário da Globo, que há meses se encolheu na cobertura do caso do Queiroz e entregou aos seus humoristas a tarefa de ridicularizar a extrema direita no poder.

Muito riso, muita brincadeirinha com o fascismo, mas nada de jornalismo. A Globo terceirizou ao pessoal do humor os ataques aos seus inimigos no governo.

É assim quer os humoristas dos Marinho acabam por popularizar e humanizar os Bolsonaros, o pai e os filhos. Pois Mainardi trabalha para a Globo e ajuda Moro num momento decisivo.

O ex-juiz tem de agir logo, antes do julgamento pelo Supremo da ação que levanta sua suspeição na Lava-Jato. Por isso acharam os hackers.

Mas o chefe de Dallagnol teria coragem para mandar prender o jornalista, com a ajuda de um juiz amigo, sob a acusação (que já está circulando) de que o Intercept é receptor e cúmplice dos vazamentos? Talvez não, porque sabe que seria massacrado pelas reações internacionais.

O que Sergio Moro conseguiu com a quadrilha de hackers trapalhões foi empurrar a Lava-Jato para a zona do riso, como a Globo faz com o bolsonarismo.

Todas as notícias sobre a tal gangue de hackeadores provocam gargalhadas. A Lava-Jato virou um pastelão.

GREENWALD É CRUEL COM AS TARAS BOLSONARISTAS

O jornalista Glenn Greenwald cometeu a maior crueldade com os militantes da extrema direita nas redes sociais. Ao dizer que o Intercept não irá divulgar mensagens que contenham intimidades do pessoal da Lava-Jato, Greenwald cortou o barato do bolsonarismo.

O jornalista deixou claro que não fará com Moro, Dallagnol e suas turmas o que Moro fez com Lula, ao grampear e enviar para a Globo diálogos sem nenhuma conotação política. Essa decisão do Intercept foi anunciada desde o começo, mas a extrema direita ainda tinha esperança.

Os bolsonaristas querem mensagens que acionem suas taras. Os textos falsos que estariam circulando pela internet, com informações sobre intimidades de lava-jatistas, mexeram com as fantasias dos adoradores de Bolsonaro.

Muitas das analogias primárias que eles tentam fazer, para refletir sobre qualquer assunto, passam pela ideia da sacanagem. O próprio Bolsonaro é o autor da frase que melhor expressa essa fantasia doentia. “O Brasil é uma virgem que todo tarado quer”.

Machismo, estupro, homofobia, violência são componentes presentes publicamente nas taras da extrema direita. Por isso Greenwald frustra muita gente excitada ao sonegar a possibilidade de divulgação de mensagens íntimas.

O bolsonarista quer mensagens íntimas, as mais devassas possíveis, mesmo que sejam contra os gurus deles. Eles só conseguirão entender o que se passava na Lava-Jato se tiverem acesso a sacanagens.

O bizarro é o combustível do fascista. Como o Intercept não irá divulgar nada do que eles pedem, é provável que eles mesmos passem a criar mensagens com suas obsessões. O fascista é um depravado exibicionista e insaciável.

O TCU FOI ENROLADO

O Tribunal de Contas da União caiu no conto do Coaf. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que Moro queria sob seu controle mas ficou com Paulo Guedes, não disse nada com nada na resposta que deu ao TCU sobre a suspeita de investigação das movimentações financeiras do jornalista Glenn Greenwald.
Não diz se investiga nem se não investiga e faz uma enrolação pretensamente jurídica de por-isso-e-por-aquilo.
Agora, resta saber se o TCU e o Ministério Público, que acionou o tribunal para que cobrasse explicações do Coaf, vão ficar quietinhos e resignados, como ficam quase todos os que temem o bolsonarismo.
Se ficarem silenciosos, é porque se entregaram ao comando de Sergio Moro, como o Supremo se entregou ao golpe (que chegou a presidir, solenemente) e à Lava-Jato (que sempre fez o que quis).
Um outro órgão, se é que existe, poderá exigir a informação que o Coaf nega? Glenn Greenwald está ou não sendo bisbilhotado pela polícia política de Sergio Moro?
Sim ou não? Quem tem coragem para cobrar essa resposta, mesmo que, pelo próprio negaceio do Coaf, parece que a pergunta já foi respondida?
Greenwald sabe o que os próprios ministros do TCU desconfiam e já foi relatado pela Folha: é quase certo que o diretor do Intercept está sendo investigado em ações de arapongas. Formalmente, essas “sindicâncias” nunca irão aparecer.
Mas um dia os servidores republicanos terão de contar o que acontece sob o regime bolsonarista, ou alguém acredita que todos eles foram cooptados pelo esquema? Que falem logo.

AMEAÇAS E ARAPONGAGENS

Mais uma denúncia contra os métodos de Sergio Moro. A jornalista Monica Bergamo, que ele define como colunista social, informa hoje que a notícia da investigação do Coaf contra Glenn Greenwald, do Intercept, é vista por ministros do TCU como uma ameaça de gente ligada ao ex-juiz.
O aparelhamento do Estado teria chegado ao ponto de provocar a divulgação de falsas notícias saídas de dentro do governo contra inimigos do bolsonarismo.
O site Antagonista consagrou-se como o porta-voz dos milicianos que ameaçam Greenwald quase todos os dias.
O TCU aguarda do Ministério da Fazenda a informação sobre a possível sindicância em torno das movimentações financeiras do jornalista.
A investigação talvez não seja formal, e aí Paulo Guedes dirá ao TCU que não há nada, que ele, e não Moro, é quem comanda o Coaf.
Mas os arapongas de Moro podem estar trabalhando por fora, de acordo com os métodos da Lava-Jato. É o que diz a Folha.
E o ex-juiz preparando as malas para sair de férias e reenergizar o corpo.
É hora de ler e reler sobre os métodos do nazismo e do fascismo.

A PERSEGUIÇÃO A GLENN GREENWALD

É complicada a situação de Sergio Moro no caso da anunciada investigação das movimentações financeiras do jornalista Glenn Greenwald.

O Ministério Público Federal determinou que o Tribunal de Contas da União apure se o jornalista é de fato investigado pelo Coaf. O TCU já determinou que o Ministério da Fazenda esclareça com urgência se a sindicância existe.

Por que Moro fica numa situação delicada? Se a informação for confirmada, ficará provado que o jornalista está sendo caçado pelo governo.

Segundo: Moro terá de esclarecer se foi ele quem determinou a investigação, que teria sido acionada pela Polícia Federal, que está sob seu comando. Terceiro: como o site O Antagonista ficou sabendo da investigação e deu a notícia como furo?

Se o Coaf disser que não investiga o jornalista, o mesmo Antagonista fica numa situação complicada (mais uma vez) porque terá plantado uma informação como ameaça ao jornalista que denunciou, pela divulgação das conversas da Lava-Jato, o criminoso conluio de Moro com o procurador Deltan Dallagnol.

De qualquer forma, com a confirmação ou não da bisbilhotagem, continuará a suspeita de que Moro teria aparelhado o Ministério da Justiça para perseguir inimigos, como vários deputados denunciaram quando do depoimento do ex-chefe de Dallagnol na Câmara.

O aparelhamento teria o suporte de sites que desde o golpe tentam proteger a Lava-Jato. O Antagonista, de Diogo Mainardi, serviçal da extrema direita, é a principal trincheira, com franquias informais de apoio a Moro espalhadas pelo Brasil, incluindo o Rio Grande do Sul.

Há jornalistas de toda parte fazendo o marketing da Lava-Jato, alguns sem qualquer disfarce, como fizeram quando do golpe. Para eles, Moro é exemplo de juiz e de correção.

Mas é possível prever o que já aconteceu com outros gurus da direita. Se Moro cair em desgraça, eles saltam fora logo.

A direita joga os seus fracassados na sarjeta, como jogou Aécio, Serra e Cunha. Sergio Moro já está na fila.

GLOBO ATACA GREENWALD

A Globo pegou pesado com Glenn Greenwald, o diretor do Intercept Brasil. Esta é a nota divulgada há pouco pelo site Agência Pública em que a Globo ataca o jornalista pela entrevista concedida ao mesmo site.

“Segue esclarecimento da Comunicação da Globo sobre a entrevista de Glenn Greenwald, publicada por seu veículo.

Glenn Greenwald procurou a Globo por e-mail no último dia 29 de maio para propor uma nova parceria de trabalho. Em 2013, a emissora já havia dividido com ele o trabalho sobre os documentos secretos da NSA referentes ao Brasil. Uma parceria que mereceu elogios dele pela forma como foi conduzido o trabalho.

Greenwald ficou ainda mais agradecido por um gesto da Globo. Nas reportagens que a emissora divulgou, em algumas frações de segundo era possível ver nomes de funcionários da agência americana, que não trabalhavam em campo, mas em escritório. Mesmo assim, tal exposição poderia levá-lo a responder a um processo em seu país natal, os Estados Unidos. A Globo, então, assumiu sozinha a culpa, declarando que, durante a realização da reportagem, Greenwald se preocupava sobremaneira com a segurança de seus compatriotas. Tal atitude o livrou de qualquer risco.

Ao e-mail do dia 29 de maio seguiram-se alguns telefonemas na tentativa de conciliar agendas (ele estava viajando) para um encontro, finalmente marcado. Ele ocorreu na redação do Fantástico no dia 5 de junho. Na conversa, insistindo em não revelar o tema, ele disse que tinha uma grande “bomba a explodir” e repetiu que queria voltar a dividir o trabalho com a Globo, pelo seu profissionalismo. Mas, antes, gostaria de saber se a emissora tinha algo contra ele, sem especificar claramente os motivos da pergunta, apenas dizendo que falara mal da Globo em algumas ocasiões. Provavelmente se referia a um artigo que seu marido, o deputado David Miranda, do PSOL, tinha publicado no Guardian com mentiras em relação à cobertura do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O artigo foi rebatido por João Roberto Marinho, presidente do Conselho Editorial do Grupo Globo, fato que deu origem a comentários desairosos do próprio Greenwald.

Na conversa de 5 de junho, ele afirmou que “tudo estava no passado”. Prontamente, ouviu que jamais houve restrição (de fato, David Miranda já foi inclusive convidado para entrevista em programa da GloboNews). Greenwald ouviu também, com insistência, por três vezes, que a Globo só poderia aceitar a parceria se soubesse antes o conteúdo da tal “bomba” e sua origem, procedimento óbvio. Greenwald se despediu depois de ouvir essa ponderação.

A Globo ficou aguardando até que, na sexta-feira à tarde, Greenwald mandou um e-mail afirmando que não recebeu nenhuma resposta da Globo e que devia supor que a emissora não estava interessada em reportar este material. Como Greenwald, no e-mail, continuava a sonegar o teor e origem da “bomba”, não houve mais contatos. Não haveria como assumir qualquer compromisso de divulgação sem conhecimento do que se tratava.

No domingo, seu site, o Intercept, publicou as mensagens atribuídas ao ministro Sergio Moro e procuradores da Lava-Jato, assunto que mereceu na mesma noite destaque em reportagem de mais de cinco minutos no Fantástico (e depois em todos os telejornais da Globo).

Na segunda, uma funcionária do Intercept sugeriu que o programa Conversa com Bial entrevistasse um dos editores do site para um debate sobre jornalismo investigativo. Como o próprio site anunciou que as publicações de domingo eram apenas o começo, recebeu como resposta que era conveniente esperar o conjunto da obra, ou algo mais abrangente, antes de se pensar numa entrevista.

Por tudo isso, causam indignação e revolta os ataques que ele desfere contra a Globo na entrevista publicada na Agência Pública. Se a avaliação dele em relação ao jornalismo da Globo e a cobertura da Lava-Jato nos últimos cinco anos é esta exposta na entrevista, por que insistiu tanto para repetir “uma parceria vitoriosa” e ser tema de um dos programas de maior prestígio da emissora? A Globo cobriu a Lava-Jato com correção e objetividade, relatando seus desdobramentos em outras instâncias, abrindo sempre espaço para a defesa dos acusados. O comportamento de Greenwald nos episódios aqui narrados permite ao público julgar o caráter dele.”

A manipulação

A melhor análise sobre a manipulação de informações pela imprensa, no esforço pela manutenção do interino, está no texto dos jornalistas Glenn Greenwald e Erik Dau, do site intercept.

Eles jogam luzes nas sombras da já famosa pesquisa escondida pela Folha.

O americano Glenn Greenwald tem ajudado a divulgar no Exterior a farsa do golpe no Brasil e por isso é visto com desconfiança pelo jornalismo embarcado.

O texto mostra que a prioridade do projeto conservador agora é tentar salvar Michel Temer de qualquer jeito, com boas notícias nos jornais e na TV, considerando-se que a opção tucana (a preferida), em eventual eleição, foi para o ralo.

Leia aqui:

https://theintercept.com/2016/07/20/folha-comete-fraude-jornalistica-com-pesquisa-manipulada-visando-alavancar-temer/