UM DOS GAROTOS DE BOLSONARO DEVE IR À GUERRA

Os filhos de Bolsonaros se tornariam imbatíveis como valentes, se um deles, apenas um, se apresentasse com sua arminha de dedos para lutar contra o Irã.
Porque está ficando cada mais próximo o dia em que os Estados Unidos chamarão combatentes de aliados. E Bolsonaro terá de ajudar o amigo.
Não é preciso que os três irmãos, todos valentes, apresentem-se para a guerra. Um só, talvez o fritador de hambúrguer, seria suficiente para tapar a boca de todo mundo.
O fritador de hambúrguer é o que mais aparece em fotos com armas pesadas. O ex-futuro embaixador queria invadir a Venezuela e derrubar Maduro.
Pois tem agora a chance de liderar a missão brasileira na guerra contra os iranianos. Mas não pode ficar no almoxarifado, tem que ira pra linha de frente.
Um Bolsonaro na guerra faria o que Bolsonaro nunca fez como tenente nem em treinamento de pátio de quartel.
É a hora de Eduardo Bolsonaro mostrar armas. Poderia levar junto Juan Guaidó, o autoproclamado.

FOLHA ACEITA A GUERRA DE BOLSONARO

A Folha fez hoje o que não é comum. Largou um editorial fora de hora, no início da noite, na sua versão online, para bater forte em Bolsonaro.

O editorial é ruim. O padrão dos textos caiu muito nos jornalões, o que faz com que brigas com chance de serem históricas, envolvendo a imprensa e poderosos ex-aliados, pareçam hoje conflitos de estudantes.

O texto é precário como reflexão e colegial na forma. É quase uma composição de 5ª série, o que pelo menos tem coerência com o nível do debate.

A Folha foi cúmplice do golpe que derrubou Dilma Rousseff, por imaginar – antes das manobras no Congresso – que alguém da turma dos tucanos ou um parceiro deles, mesmo do PFL, poderia se beneficiar de uma eventual eleição indireta ou da eleição direta de 2018.

Fez uma aposta golpista e ajudou, ao lado da Globo, a criar Bolsonaro. A Folha foi patrocinadora das ideias que, por desvios de rota, levaram ao poder o sujeito agora denunciado por autoritarismo.

O editorial serve para formalizar uma posição. A Folha está dizendo que aceita a declaração de guerra de Bolsonaro. Os Frias vão tentar se livrar da criatura, mais uma vez com a ajuda da Globo.

Não é a defesa da democracia que está em jogo, mas a tentativa de proteger interesses contrariados, de um lado e de outro.

Pode ser a batalha final antes da extinção da grande imprensa com o formato que tem até hoje. É também a primeira vez que os jornalões se desentendem com um grupo acumpliciado com milicianos. Saiam de perto.

A água suja e as pedaladas

colinBritânicos e americanos têm o consolo de poder ver o constrangimento vivido hoje pelos protagonistas de um erro histórico.

É devastadora a situação do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, agora confrontado com o relatório que prova a irresponsabilidade do seu governo ao aderir compulsoriamente ao plano americano da invasão do Iraque.

O argumento das armas químicas, derrubado desde o começo da guerra, é agora desmontado ponto a ponto pelo relatório do próprio governo britânico, que analisou durante anos as motivações e as implicações da participação no conflito.

O adesista Blair é um político pulverizado pelo documento, como deu para ver na sua aparição na TV. Os britânicos estão envergonhados. E Blair acabou.

Assim como Colin Powell, secretário de Estado americano na época, sumiu da cena política depois da guerra, completamente constrangido e destruído.

O até então respeitado Colin Powell apareceu na TV em 2003 com um vidrinho do que seria uma prova das armas químicas. Foi ridicularizado, mas os americanos insistiram que era preciso destruir Saddam.

Todo mundo sabia, inclusive Powell, Blair e Bush, que não havia arma química alguma. Mas a guerra deveria ser feita.

O que houve foi um desejo deliberado de falsear e de enganar, com outras intenções.

É o acontece hoje no Brasil com as intenções encobertas dos golpistas. Todo mundo sabe que Dilma Rousseff não cometeu nenhum delito que pudesse afastá-la do governo,

As pedaladas foram a arma química da farsa do impeachment. Mas nós não teremos a chance de contar com relatórios, daqui a alguns anos, que desmascarem o que já está desmascarado.

É só olhar na volta e perceber que também não temos hoje, entre os golpistas, ninguém que se assemelhe a um Powell ou a um Blair para, futuramente, vê-los pedindo perdão.

O golpe é a guerra da qual a direita não vai se arrepender, porque a direita brasileira é a única em todo o continente sul-americano, desde a ditadura, que nunca se arrependeu de nada.