O erro imperdoável

O governo iraniano admite que derrubou involuntariamente o avião ucraniano e pede desculpas às famílias pelo que considera um erro imperdoável.
Todos os jornais destacam o que está escrito no comunicado: um erro humano imperdoável.
Erro imperdoável são duas palavras que o governo americano nunca usou para as matanças deliberadas de civis em seus crimes de guerra.
Os americanos nunca admitem erros. E jamais irão admitir que cometem atrocidades imperdoáveis.

UM DOS GAROTOS DE BOLSONARO DEVE IR À GUERRA

Os filhos de Bolsonaros se tornariam imbatíveis como valentes, se um deles, apenas um, se apresentasse com sua arminha de dedos para lutar contra o Irã.
Porque está ficando cada mais próximo o dia em que os Estados Unidos chamarão combatentes de aliados. E Bolsonaro terá de ajudar o amigo.
Não é preciso que os três irmãos, todos valentes, apresentem-se para a guerra. Um só, talvez o fritador de hambúrguer, seria suficiente para tapar a boca de todo mundo.
O fritador de hambúrguer é o que mais aparece em fotos com armas pesadas. O ex-futuro embaixador queria invadir a Venezuela e derrubar Maduro.
Pois tem agora a chance de liderar a missão brasileira na guerra contra os iranianos. Mas não pode ficar no almoxarifado, tem que ira pra linha de frente.
Um Bolsonaro na guerra faria o que Bolsonaro nunca fez como tenente nem em treinamento de pátio de quartel.
É a hora de Eduardo Bolsonaro mostrar armas. Poderia levar junto Juan Guaidó, o autoproclamado.

BOLSONARO FOI APENAS UM SOLDADINHO MEDÍOCRE

Bolsonaro disse hoje que o general Qasem Soleimani, assassinado por ordem direta de Trump, não era general. Tentou desqualificar o inimigo do seu amigo (apesar de dizer que ele seria iraquiano…), mesmo que o próprio Bolsonaro nunca tenha feito nada próximo do que faz o mais subalterno dos subalternos do iraniano morto.

Bolsonaro deve ter, no máximo, pintado meio-fio de quartel no Rio, até se reformar aos 32 anos. Nunca foi militar de fato, nunca esteve nem perto de uma linha de frente de nada que pudesse habilitá-lo como militar.

Na única vez em que, armado com um revólver, em 1995, ao ser assaltado, esteve diante da chance de provar que havia sido um bom militar, mostrou que estava destreinado e teve a arma facilmente roubada pelo ladrão.

Mas muitos votaram no sujeito porque acreditam que ele tem a imposição de um valente soldado graduado. Bolsonaro não teve tempo para ser soldado de verdade e nunca foi graduado. Era um tenente que, ao ser reformado para virar vereador do Rio, ganhou a patente de capitão.

Não precisa ser civil, e muito menos da esquerda, para assegurar que ele foi muito menos do que pensa ter sido como tenente.

Em entrevista a Igor Gielow, na Folha, em novembro do ano passado, o general Eduardo Villas Bôas, então comandante do Exército, afirmou:

“A imagem de Bolsonaro como militar é uma imagem que vem de fora. Ele saiu do Exército em 1988. Ele é muito mais um político. Ele foi muito hábil quando saiu para se candidatar a vereador, passou a gravitar em torno dos quartéis, explorando questões que diziam ao dia a dia dos militares. Ele nunca se envolveu com questões estruturais da defesa do país. Mas aí criou-se essa imagem de que ele é um militar”.

Repetindo o que disse o general, para que fique bem claro: Bolsonaro explorou sua condição de tenente para se candidatar a vereador, passando a circular em torno dos quartéis, mas nunca se envolveu com nada, nada, nada da defesa do país.

Bolsonaro foi um tenente que teve como marca de sua formação no Exército, mais até do que os atos de rebeldia, o fato de que, pouco depois de deixar a farda, não soube se defender de um assaltante, como ensina (erroneamente) que devem fazer.

Bolsonaro foi um tenente insubordinado e medíocre, como se sabe, e por isso foi muito menos soldado do que um ajudante raso da tropa do general iraniano.

Bolsonaro deu meia dúzia de saltos de paraquedas nas festa do 7 de Setembro e nunca se envolveu com nada que pudesse caracterizá-lo como recruta ou como oficial.

Se tiver prova em contrário, que fale com o general Villas Bôas. A não ser que Bolsonaro entenda que Villas Bôas nunca foi general.

OS 10 ANOS DA FARSA DE OBAMA CONTRA LULA E O IRÃ

Barack Obama não faria o que Trump fez em relação ao Irã porque são totalmente diferentes? Mais ou menos.

Vamos relembrar aqui o desfecho das negociações do Brasil com os iranianos para que chegassem a um acordo com os Estados Unidos sobre armas nucleares.

Foi uma armadilha e um fiasco para o Brasil. O acordo fará 10 anos em 17 de maio de 2020. O presidente era Obama, a secretária de Estado, Hillary Clinton. O presidente iraniano era Mahmoud Ahmadinejad. Lula presidia o Brasil, e o chanceler brasileiro era Celso Amorim.

Vários países envolveram-se no esforço de diplomacia pela paz mundial. O Brasil liderava a intermediação do acordo que previa o uso de energia nuclear para fins pacíficos.

Lula e Amorim foram alçados à condição de grandes líderes pacifistas, com reconhecimento da imprensa internacional. Mas logo se saberia que os EUA haviam empurrado os dois para uma fraude.

Amorim contou o que aconteceu ao fazer uma palestra em junho de 2018 em Porto Alegre, no Teatro Dante Barone. Ele e Lula foram a Teerã com a minuta do que seria a proposta americana de controle de armas nucleares.

Depois de 20 horas de reuniões, deu tudo certo, com ajustes em detalhes. Lula, Amorim, o presidente Ahmadinejad e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, chegaram a um entendimento que poucos imaginavam.

O mundo noticiou o acordo em que o Irã se submetia a novas regras. O Brasil era protagonista do esforço para afastar os iranianos da tentação nuclear.

Amorim e Lula retornaram ao Brasil por Paris, de onde o chanceler telefonou para a secretária de Estado Hillary Clinton para contar detalhes.

O entusiasmo do brasileiro foi jogado no ralo logo depois da primeira frase. Hillary disse que não era nada daquilo. Que ele e Lula haviam entendido tudo errado. Que o acordo não existia.

Amorim insistiu que o acordo tinha tudo o que os americanos queriam. Hillary devolveu que não era bem assim. E a conversa foi encerrada.

Os EUA haviam sido surpreendidos pelo êxito da reunião. Eles não queriam e não acreditavam no acordo. Era para ter dado tudo errado. Lula, Amorim, os iranianos e os turcos haviam acreditado que Obama falava sério.

Amorim contou a história na palestra em Porto Alegre com bom humor. Ele e Lula haviam sido enrolados pelo poder dos senhores da guerra.

Em 2010, por esse gesto em Teerã, que teve reconhecimento mundial (apesar da farsa do governo Obama), e de outras ações ousadas na diplomacia, Amorim foi escolhido pela importante revista americana Foreign Policy, especializada em relações internacionais, como sexto Pensador Global mais importante do mundo. Estava no topo de uma lista de cem personalidades.

Mas isso aconteceu nove anos e meio atrás. Irã e Estados Unidos voltaram a fingir acordos e a brigar, e o Itamaraty foi entregue por Bolsonaro a um sujeito que acredita em Olavo de Carvalho e na Terra plana.

Em 2015, os EUA chegaram a firmar outro acordo com o Irã, sem a participação do Brasil, é claro, mas o acerto foi abandonado por decisão de Trump três anos depois, quando os americanos voltaram a impor sanções econômicas a Teerã.

O ataque de Trump que matou o principal general iraniano é mais do mesmo, apenas com maior radicalidade e crueldade e com toques de terrorismo.

Nem Obama queria e nem Trump quer acordo algum. Eles querem guerra, o primeiro um pouco menos, o outro sempre um tanto mais. Mas todos querem sangue e guerra.

O ACORDO, A FARSA E A TERRA PLANA

Esta foto é de 17 de junho de 2010 em Teerã. É a imagem do desfecho do esforço da diplomacia de vários países pela paz mundial e que os americanos transformaram no retrato de um fracasso.

Foi quando o Brasil intermediou o acordo nuclear com os irarianos, e Lula e o chanceler Celso Amorin foram alçados à condição de grandes líderes mundiais. Mas nada deu certo, porque os Estados Unidos haviam armado uma farsa.

É bom que se fale disso agora, quando o acordo completa nove anos, cresce de novo a ameaça de conflito entre os EUA e o Irã e a diplomacia brasileira é conduzida por terraplanistas.

Amorim falou da reunião de junho de 2010 quando esteve em Porto Alegre há exatamente um ano para palestra no Teatro Dante Barone.

O diplomata contou que ele e Lula viajaram para Teerã com a minuta da proposta americana. Depois de 20 horas de reuniões, deu tudo certo, com ajustes em detalhes.

Estavam lá Lula, o presidente iraniano Ahmadinejad e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan. A foto do entendimento correu mundo.

O Brasil assumia protagonismo mundial no esforço para afastar o Irã da tentação nuclear (mesmo que o contrário, em relação aos Estados Unidos, nunca fosse imaginável).

Amorim e Lula retornaram ao Brasil por Paris, de onde o chanceler telefonou para a secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Faltava o sim dos EUA. O entusiasmo do brasileiro foi jogado no ralo logo depois da primeira frase.

Hillary disse que não era nada daquilo. Que ele e Lula haviam entendido tudo errado. Que o acordo não existia. Amorim insistiu que o acordo tinha tudo que os americanos queriam. Hillary devolveu que não era bem assim. E a conversa foi encerrada.

Os EUA haviam sido surpreendidos pelo êxito da reunião. Eles não queriam e não acreditavam no acordo.

O chanceler contou a história na palestra em Porto Alegre com bom humor. Em 2010, por esse gesto em Teerã, que teve reconhecimento mundial (apesar da farsa do governo Obama), e de outras ações ousadas na diplomacia, Amorim foi escolhido pela importante revista americana Foreign Policy, especializada em relações internacionais, como sexto Pensador Global mais importante do mundo numa lista de cem personalidades.

Mas isso aconteceu nove anos atrás. Irã e Estados Unidos voltaram a brigar, e o Itamaraty foi entregue por Bolsonaro a um sujeito que acredita em Olavo de Carvalho e na Terra plana.