O FIM E O RECOMEÇO

O tom geral da imprensa é de que o governo Bolsonaro acabou. Os jornais apenas refletem o cenário devastado de Brasília. Vinicius Mota, secretário de redação da Folha e colunista do jornal, anuncia que Bolsonaro será “reduzido a seu átomo original” e que começa a se esboçar um grande consenso para substituir o ‘projeto’ que não deu certo.
Outras abordagens mostram que os políticos estão sondando os militares e que a senha dos fardados é mais ou menos essa: entendam-se vocês, porque nós estamos fora. Por enquanto.
O resumo geral, juntando as vozes que se manifestam por toda parte, na política e nos jornais, é mais ou menos esse: Bolsonaro não tem, nunca teve, forças para reagir.
A trama se encaminha para o previsível desde Collor. A direita vai destruir a própria criatura via Congresso. Bolsonaro será boicotado em tudo, incluindo a reforma da previdência.
E o próximo passo, dependendo da evolução do caso Flávio-Queiroz, todo mundo sabe.
Se o plano não der certo e se Bolsonaro sobreviver, o governo irá se arrastar até onde for possível. Mas Bolsonaro não terá mais condições de dizer nem a fórmula da água. Bolsonaro pai e seus garotos serão figuras gasosas.
Lembraremos daqui a algum tempo que o governo chegou ao fim quando um dos filhos de Bolsonaro não se aguentou e pediu Lula livre ao vivo na TV.
Eu já espero o fim do pesadelo e estou pronto para a festa de casamento de Lula com Rosângela. O bolsonarismo acabando e Lula nos presenteando com um novo amor. Nada poderia ser mais simbólico.
O ódio de Bolsonaro e dos filhos será soterrado pelo amor de Lula e Rosângela. Lula livre já, para casar logo.

O PLANO LULA

Almocei hoje com o deputado Paulo Pimenta, líder da bancada do PT na Câmara. Falamos de Rosário do Sul, do Alegrete e do futebol de Santa Maria. Pimenta assegura que foi um bom jogador, mas não apresentou provas nem testemunhas.
Falamos mesmo da resistência das esquerdas, do fortalecimento do PT e das pessoas que chegaram a acreditar no discurso do golpe e depois se arrependeram.
Pimenta sempre esteve e está ao lado de Lula e teve participação decisiva na caravana que, antes do encarceramento, percorreu o Brasil denunciando a farsa da perseguição judicial.
Fizemos esta foto para os que perguntam se existe algum plano B para a candidatura de Lula. Aí está a resposta.
#LulaLivre

A imagem pode conter: Moisés Mendes e Paulo Lula Pimenta, pessoas sorrindo

A marcha dos jovens e a política

Foi bom ver pessoas sentadas na grama, no encontro de sábado à tarde na Redenção com a deputada Maria do Rosário, a socióloga Reginete Bispo, o advogado Werner Becker e a vereadora Sofia Cavedon (as fotos são do Ricardo Stricher).

Falamos das possibilidades da resistência ao golpe e à prisão de Lula, do aparelhamento da imprensa e do Judiciário, da disseminação de ódio, da construção de uma rede de comunicação progressista e da necessidade de seperseverar com as esperanças.

O interessante é que acontecia ao lado da aula pública organizada por Maria do Rosário, perto do Monumento ao Expedicionário, o grande encontro de uma maioria de jovens em defesa da descriminalização da maconha.

Pouco antes do início da caminhada da Marcha da Maconha, Reginete Bispo lembrou que o Brasil comete violências contra os negros, como herança do regime escravocrata, não só por discriminação racial, mas como perversão da permanente luta de classes.

E quando a Marcha se mexeu em direção ao chafariz, Maria do Rosário estava falando da perda de espaço das esquerdas no Congresso, na eleição anterior, e da ameaça que isso representa mais uma vez este ano. O reacionarismo pretende se apropriar por completo do Congresso.

E a imensa Marcha então se movimentou, passando ao lado da aula pública, como se ao acaso um evento complementasse o outro.

Sem um Congresso de esquerda ou, se quiserem, sem fortes bancadas progressistas, não há nada que possa ser feito pelos que lutam não só pelas liberdades e contra a caçada a pobres e negros transformados em alvos do que a direita chama genericamente de “guerra ao tráfico”.

Sem partidos e sem o exercício da política nos redutos com poder de decisão, não haverá democracia, e os movimentos sociais continuarão sendo perseguidos pela polícia e criminalizados pela rede de instituições que deveria protegê-los.

As mudanças que os jovens pretendem passam antes pelas vontades, pelas restrições e pelos interesses do Congresso. E o Congresso hoje não tem vontade nenhuma de fazer os avanços que os jovens desejam. Esse é o Congresso que derrubou Dilma e protegeu o jaburu e Aécio.

Sem as esquerdas na Câmara e no Senado, adióis descriminalização da maconha. Poderão realizar centenas de marchas, cantar, como cantaram hoje, e depois marchar. Mas nada será mudado.

A polícia continuará batendo e prendendo pobres, o Ministério Público continuará acusando e a Justiça continuará condenando. Somente os pobres e negros.

Mas ficarão imunes e impunes à perseguição e à violência, entre outros protegidos pela estrutura de repressão, os grandes traficantes e consumidores de cocaína que circularem de helicóptero. Estes não participam da Marcha da Maconha. Os jovens sabem muito bem disso.

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A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé, sentado e atividades ao ar livre

O INSTINTO DE LULA

A decisão que Lula tomar amanhã ou depois será bem tomada. Tão bem tomada quanto a de hoje, quando mandou um recado a Sergio Moro. Não marque hora para me prender, nem tente me seduzir com celas especiais.
 
Pois deixem que Lula continue sendo conduzido por sua intuição. Não caiam numa armadilha ingênua e egoísta proposta pela direita e aceita por parte da esquerda.
 
É a armadilha quase infantil de que a prioridade agora, se Lula for preso, e mesmo que não seja, é buscar uma alternativa à sua candidatura.
 
É ingênua porque nada se ganha apressando uma definição sobre frentes e candidaturas herdeiras de Lula. Ganha-se o quê?
 
Alguém imagina Manuela D’Ávila e Guilherme Boulos sendo indicados, em meio à consternação, como sucessores de Lula? E saindo em disparada para saber quem chega na frente? Não sairiam. Os dois são solidários a Lula porque dependem dele.
 
E o debate sobre alternativas é egoísta e quase neoliberal porque, em nome da ideia utilitária da viabilização de uma frente ou de um nome, há muita gente disposta a abandonar Lula e sua resistência.
 
Abandonar o poder simbólico e real de um Lula lutando contra Sergio Moro, o Supremo de Jucá, o Quadrilhão, o pato da Fiesp e a imprensa é desprezar o que as esquerdas têm hoje de mais valioso.
 
Lula carrega as esquerdas nas costas. Hoje, o mundo ficou sabendo mais uma vez que é assim. Mas parte das esquerdas prega que se abandone Lula para cuidar da funcionalidade da vida no paraíso da próxima eleição.
 
Abreviar o processo é ofender a trajetória de Lula e sua capacidade única de afrontar o golpe e denunciá-lo também para os que nos olham de longe. Lula resiste mais do que todos nós. Muito mais. Ele pôs o dedo na cara dos que o perseguem e nos perseguem.
 
Mas alguns querem se livrar de Lula em nome de candidaturas estepes? Aquietem-se com seus planos B. Procurem pensar, tentem, mas não pensem em voz alta. Respeitem Lula.

A resistência

O povo, e é muito povo, desce a Borges.#LulaLivre

Posted by Moisés Mendes on Friday, 6 April 2018

Fiz esse vídeo no início da caminhada, depois das manifestações de hoje na Esquina Democrática, em Porto Alegre. Aqui, o povo (e apareceu muito povo) começava a descer a Borges em direção ao Largo Zumbi dos Palmares.

#LulaLivre

Vamos dormir com essa inquietação toda. Por que falar logo agora de “anseios de todos os cidadãos de bem”, “repúdio à impunidade”, “respeito à Constituição, à paz social e à democracia” e “missões institucionais”?
Amanhã ou depois saberemos. Só espero não sonhar com aquela cara do William Bonner como porta-voz do que nem ele sabe direito o que possa vir a ser.
#LulaLivre