Tarcísio trata como amizade a subserviência a Bolsonaro

Tarcísio de Freitas pode ser um ingrato, assim como pode ter sido amador, mais uma vez, e pode também ter cometido desaforos deliberados, ao comentar essa semana a visita agora adiada que faria a Bolsonaro na Papudinha.

O governador esclareceu em nota à imprensa que a visita não acontecerá mais por ter outros compromissos em São Paulo. Na terça-feira, ele havia dito o seguinte, quando da entrega de casas em São José da Bela Vista:

“Eu vou lá visitar um amigo, sobretudo um grande amigo. Uma pessoa por quem eu tenho muita consideração. Vou lá manifestar a minha solidariedade, manifestar meu apoio, ver se ele está precisando de alguma coisa e reforçar que ele vai sempre poder contar comigo”.

Tarcísio trata Bolsonaro sobretudo como grande amigo, uma pessoa por quem tem muita consideração. Mas o bolsonarismo raiz espera que ele se refira sempre a Bolsonaro como líder.

A outra possível barbeiragem, mesmo que tenha sido muito bem pensada como desculpa, é a que explica o adiamento da visita pelos compromissos assumidos em São Paulo.

Tarcísio não visita o amigo desde setembro. Que outros compromissos, nesse momento em que o governador se reafirma como CEO vacilão, seriam mais importantes do que a visita a Bolsonaro preso?

Tarcísio coloca a visita em segundo plano, em relação a outras tarefas, e avisa que outra data será solicitada a Bolsonaro. Quando se sabe que foi Bolsonaro quem pediu a visita e pode ter optado pelo adiamento.

Por que o criador chamou a criatura? Para dizer que Flávio é o ungido e que não haverá recuo na candidatura do filho? Para pedir que Tarcísio deixe de tentar agradar o centrão e declare logo apoio a Flávio?

Uma outra hipótese, que não pode ser descartada, é a de que Bolsonaro pode dizer a Tarcísio que mantenha o cavalo encilhado para uma candidatura de última hora à presidência.

Bolsonaro pode ser um desastre como articulador de ações políticas, incluindo as que envolvem golpes, mas não pode ser tão estúpido a ponto de desprezar Tarcísio como um plano B. Mesmo que Flávio tenha se afirmado nas pesquisas como um nome competitivo.

É improvável que Bolsonaro não considere, em conversa com o extremista moderado, a possibilidade de escolhê-lo para enfrentar Lula. Com um detalhe: Tarcísio talvez não tenha bravura e armas para participar dessa guerra.

O amigo de Bolsonaro só existe como político por ter sido ungido pelo chefe da organização criminosa, como o próprio Tarcísio já admitiu em discurso em cima de um caminhão na Avenida Paulista.

Se Flávio falhar, Tarcísio se submeteria às ordens de Bolsonaro, com a bênção do centrão, da Globo, da Folha, do Estadão, da Fiesp, do que sobrou do bolsonarismo militar e da Faria Lima que trabalha para o PCC?

Tarcísio diria a Bolsonaro que, mesmo inseguro, enfrentaria Lula, se Flávio fosse abandonado pelo centrão até março? O vacilão pode dizer não ao amigo que por quem tem sobretudo muita admiração?

Pela sequência do que aconteceu até aqui, é possível concluir o seguinte. Tarcísio não abre o voto de forma categórica para Flávio e não diz que irá apoiá-lo de forma incondicional, porque São Paulo não é o Rio, e os paulistas não têm tanto apreço pelos Bolsonaros. Têm pela direita em geral, mas não especificamente pela família.

A marca Bolsonaro está gasta, e as pesquisas mostram que Flávio não é um nome que possa mobilizar, na arrancada, num primeiro turno, a extrema direita e a direita.

Mas, no fundo, Tarcísio torce para que Flávio siga em frente, como mostra a pesquisa Atlas, para que ele, o CEO vacilão, dispute uma reeleição considerada tranquila em São Paulo.

O amigo presidiário de Tarcísio não tem mais a força que já teve, mas é com ele que o governador tem dívidas impagáveis. O encontro adiado terá que acontecer, em algum momento.

E aí Bolsonaro irá esclarecer: eu sou o seu criador, seu chefe, seu líder, seu mentor, e na família você tem só uma pessoa que pode tratar como amiga, dona Michelle.

O resto, dirá Bolsonaro, não confia em você, como eu mesmo não confio. O resto da família o considera um sujeito inconfiável, por não saber o que quer e por tratar como amizade o que é dependência, subserviência e subalternidade absolutas.

4 thoughts on “Tarcísio trata como amizade a subserviência a Bolsonaro

  1. Comentei aqui tempo atrás, que o tarcisio estava se fazendo de leitao prá poder mamar deitado.as noticias de hoje me dao razao, o pig irá chama-lo de
    Terceira via, aguardem. E o telefone do chupetinha na agenda do vorcaro, a imprenssa nao pia nada, mas se fosse do lulinha, sairia em letras garrafais nos jornaloes.

  2. Tarcísio Maga não pode bater de frente com os bolsonaros. Estes preferem perder pro LULA do que passar o bastão da direita para outro. E o discurso do tarcísio foi demais para a extrema-direita para ele voltar atrás agora. As performances nos caminhões de som ao lado do malafaia estão todas gravadas. Discurso moderado não iria colar.

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