Tempo de medos

Verdade Tropical, que Caetano publicou há 20 anos, sempre foi subestimado, como livro de memórias e como ensaio. Não há nada igual da geração dele sobre o que se passou com aquela turma da Tropicália, no contexto da revolução dos costumes, da ditadura, da música, da literatura.
Pois o livro está sendo reeditado pela Companhia das Letras. Me lembro que Caetano aborda com valentia a controvérsia da época sobre sua orientação sexual. É quando conta que, diante das interrogações sobre o que ele seria (resumindo tudo aqui), preferia responder que essa era uma definição que não lhe interessava mais.
Em entrevista à Folha hoje, ele conta que eliminou do livro, lá na primeira edição, textos de um capítulo sobre sexos, no plural. A explicação dele: “Há razões pessoais para que eu evite mexer com coisas que podem cair mal sobre certas pessoas que, mesmo quando não nomeadas, se reconheceriam de um modo que me levaria a sentir-me mal”.
E o tal texto fica de fora da reedição. É uma pena. Será que Caetano está assustado mais do que se pensa com o novo macartismo? Ele tem seus motivos.

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