Teremos o primeiro delator militar?

A luta contra a ditadura teve bravos militares como militantes da democracia. Mais de 6 mil deles foram perseguidos, presos e expulsos dos quarteis e pelo menos 30 desapareceram ou foram assassinados.

Mas no meio militar nunca surgiu entre os que estavam do outro lado, colaborando com o golpe e o regime, os que se dispusessem a delatar o que sabiam da perseguição a civis e mesmo a fardados.

Muitos dos que se empenharam no resgate da normalidade acreditavam que em algum momento os delatores militares poderiam aparecer, para denunciar, por exemplo, torturas e outras atrocidades com provas e detalhes. Era improvável.

O que tivemos foram delatores colaboracionistas do governo entre fardados e cidadãos comuns, que apontavam inimigos dos militares entre conhecidos, vizinhos, parentes, colegas de trabalho.

Mauro Cid, o coronel ajudante de ordens de Bolsonaro, poderá ser o primeiro delator graduado, ainda como oficial da ativa do Exército, a exercer o direito da delação, amparado em lei e sob a proteção do sistema de Justiça. Pelo menos em tempo de aparente normalidade.

É o que se anuncia agora. Que o coronel estaria exausto e disposto a colaborar com as investigações. Tanto que já teria caminhado nessa direção em interrogatórios à Polícia Federal.

Mas o que o coronel pode contar que esclareça fatos em que esteve envolvido? Mauro Cid vai falar dos crimes com as joias das arábias? Vai dizer o que fez a mando de Bolsonaro para tentar preservar as joias as que seriam da família, mas não deveriam ser?

O que Mauro Cid poderá dizer do que sabe do plano do golpe? O coronel terá de ser um delator por inteiro, que conte o que sabe das muambas, do golpe e das fraudes nos cartões de vacinação.

É uma tarefa vasta. Cid foi preso por envolvimento na fraude nos cartões de vacina, e a partir daí a Polícia Federal chegou, com o acesso ao seu celular, às conversas sobre as joias e sobre o golpe.

O coronel é até agora o mais completo personagem do bolsonarismo sob investigação, porque atuou em três frentes, todas com provas de envolvimento em delitos graves.

Especula-se que a delação está em negociação na Polícia e se sabe que a CPI do Golpe está preparada para propor o mesmo, sabendo-se que tudo depende do aval do Ministério Público.

Se Mauro Cid decidir falar, pode estar sendo aberta a porteira para que outros falem. É a hora de somar e subtrair, para saber o que ele ganha ou perde com a delação.

O que se sabe, com certeza, é que teremos, se o coronel virar delator de fato, estragos jamais vistos decorrentes desse tipo de atitude.

Mas a delação não poderá ser pela metade, ou valerá tanto quanto o cavalinho árabe com as patas quebradas, que pensavam ser de ouro e era de cobre.

One thought on “Teremos o primeiro delator militar?

  1. Falar só de jóias, cartão de vacinação e golpe deve ser muito pouco comparado ao que ele sabe da familícia. O cara tinha contato direto com o casal de demônios, ministros e os filhos do capetão. Deve saber muitas coisas que nem imaginamos como por exemplo desvios de aviões da FAB, transporte de drogas em aeronaves do governo, agenda oculta destes sujeitos, apoio aos evanjegues e por ai vai. Não pode ser só falar do Bozo. Tem que delatar o governo como um todo e ruir as estruturas do fascismo de vez. A delação dele tem que ser com um avião batendo nas torres gêmeas do fascismo e nazismo do governo genocida, de modo que depois dela só sobrem ruínas para que os patriotários e manés não possam mais justificar o injustificável e finalmente saiam do transe que os acometeu. Separar os que mandavam e tinham a destruição como plano de governo e perpetuação do poder e os manés, incautos e burros que apoiavam, uns por burrice pura e simples e outros porque achavam que sempre podia sobrar um ossinho do banquete para eles roerem.

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